BMW é acusado pelo Ministério Público de comandar sessões de tortura de moradoresReprodução
A denúncia do MP separa os integrantes do CV em três grupos:
- Principais lideranças, com atuação no Complexo da Penha e seus homens de maior confiança
- Gerentes do tráfico local e de localidades coligadas
- Soldados do tráfico e outros membros de menor hierarquia
Entre os denunciados pelo MP no grupo de "principais lideranças" está Juan Breno Malta Ramos, conhecido como "BMW", apontado como chefe do grupo "Sombra". A reportagem não localizou a defesa de Ramos.
Quem é o BMW?
Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, também conhecido como BW ou BMW, é um mineiro de Belo Horizonte que, segundo o MP, exerceria as funções de gerente do tráfico na região da Gardênia Azul, na Zona Oeste, e também chefe de um grupo chamado 'Sombra'.
O que é o grupo Sombra do CV?
Segundo o MP, o grupo 'Sombra' consiste em uma equipe composta por matadores a serviço do Comando Vermelho. Eles trabalham na ofensiva da facção criminosa na região da Grande Jacarepaguá.
O que diz o MP sobre BMW?
Por exercer a função de ampliar os domínios da facção, BMW controla grandes quantias de dinheiro. Com esses recursos, ele compraria armas de grosso calibre e faria investimentos em segurança, possuindo "diversas câmeras de monitoramento no Complexo da Penha e na comunidade Gardênia, algumas com sensor de movimentação".
Arsenal de uso restrito militar de alta letalidade
Ainda segundo o MP, "o denunciado Juan Breno, vulgo BMW, atualmente, goza de prestígio e alta posição hierárquica dentro do Comando Vermelho. Ele atua na área operacional, na liderança de um grupo violento que emprega armas de fogo de grosso calibre em suas ações e atua com violência extrema contra rivais".
"De sorte a ter predomínio bélico", diz o documento, "o denunciado Juan Breno ostenta e exibe armamento de uso restrito militar de alta letalidade e bastante variado".
Instrutor de 'soldados'
Segundo o MP, o suspeito também teria a função de treinar "soldados" do tráfico, "usando de sua larga experiência no emprego de armas de grosso calibre para instruir mais criminosos a serviço do Comando Vermelho".
Tortura transmitida ao vivo em vídeo
A denúncia credita a ele ainda a prática de "punições e tortura contra moradores", organizando os chamados tribunais do tráfico, "com autonomia para determinar a execução de rivais de menor expressão".
Os investigadores afirmam ter tido acesso a um vídeo no qual um homem é "arrastado por um carro, amordaçado e algemado, por alguns minutos, supostamente para confessar participação em uma delação a um grupo rival."
Segundo os promotores, "em meio a gritos implorando por perdão", o rapaz alvo das agressões cita o nome de BMW várias vezes, enquanto o traficante "faz piada do sofrimento alheio, debochando da vítima agonizante."
Uma imagem anexada à denúncia mostra que a tortura estava sendo transmitida em vídeo.
Gardenal exerce chefia sobre a grande maioria dos traficantes, orientando, por exemplo, sobre aquisição de armas de fogo, drones de vigilância e outros acessórios relacionados à manutenção do Comando Vermelho como principal facção criminosa no território. De acordo com a denúncia, o suspeito também se vale de sua experiência de longa data no tráfico de drogas para orientar os novatos sobre como enfrentar com maior eficiência uma possível incursão policial.
O suspeito emite ordens de execução, orientando como gerentes locais devem lidar com subordinados de modo a manter a disciplina de seus comandados. Como exemplo, os promotores citam que ele demonstra liderança e frieza ao determinar a execução de um soldado do tráfico por estar supostamente "perdendo" carregamento. A orientação é de que o gerente "da boca" o mate na frente de "geral" para dar exemplo aos demais.
Carros de luxo e joias
Gardenal, de acordo com o MP, atua na organização do poder bélico do tráfico de drogas no Complexo da Penha e adjacências, tendo acesso a parte do dinheiro proveniente das operações ilícitas. Fotos obtidas pela investigação mostram Gardenal com armamentos de alto calibre e montantes de dinheiro. "Por conta da posição de liderança exercida na hierarquia do grupo criminoso, ele ostenta carros de luxo e vistosas joias", aponta o documento.
A denúncia credita a ele ainda a prática de "punições e tortura contra moradores", organizando os chamados tribunais do tráfico, "com autonomia para determinar a execução de rivais de menor expressão".
Os investigadores afirmam ter tido acesso a um vídeo no qual um homem é "arrastado por um carro, amordaçado e algemado, por alguns minutos, supostamente para confessar participação em uma delação a um grupo rival."
Uma imagem anexada à denúncia mostra que a tortura estava sendo transmitida em vídeo. Segundo os promotores, no final do vídeo aparece chamada de vídeo com o rosto de Gardenal na tela.
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