Anielle Franco (D), ministra da Igualdade Racial, em comitiva nos complexos do Alemão e da Penha, nesta quinta (30)Divulgação
Ministras de Direitos Humanos e de Igualdade Racial visitam Complexo do Alemão
Ação conjunta entre polícias Civil e Militar do Rio foi a mais letal da história do estado, com um total de 121 mortos
Rio - Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, e Anielle Franco, da Igualdade Racial, estiveram, nesta quinta-feira (30), nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte. A comitiva do Governo Federal, composta ainda por parlamentares, teve como finalidade ouvir moradores dois dias após a megaoperação mais letal da história do Rio, que deixou 121 mortos - 117 suspeitos e quatro policiais - e tinha o Comando Vermelho como alvo.
Em suas redes sociais, a ministra Anielle classificou o encontro como um “momento de escuta e acolhimento com moradores” e afirmou ter ouvido “relatos de situações inaceitáveis” sobre a ação conjunta entre as polícias Civil e Militar do Rio, que resultou ainda na prisão de 113 pessoas.
Já a ministra Macaé Evaristo salientou que são necessárias ações de inteligência para combater o crime organizado no estado fluminense e mencionou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, em tramitação no Congresso Nacional, em Brasília.
“Uma articulação federativa para a gente efetivamente, com inteligência, asfixiar o crime organizado”, comentou ela, condenando as mortes em decorrência da megaoperação: “E não fazer que a nossa população periférica pague com suas vidas”.
Anielle também anunciou que 20 peritos criminais e mais peritos da Força Nacional prestarão apoio nas investigações e que ações do programa Juventude Negra Viva estão sendo mapeadas para uma futura implementação nos complexos. Ela ainda afirmou que o ministério seguirá “trabalhando e apostando nas políticas de reparação, cuidado e redução das desigualdades”.
No início desta noite, as ministras ainda participaram de um evento na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) no qual ficou decidido que a Comissão de Direitos Humanos da Casa pedirá a abertura de uma investigação federal para apuração das circunstâncias da megaoperação. O presidente do grupo, o deputado federal Reimont (PT-RJ), enfatizou que uma perícia independente, sem elo com o Governo Estadual, é necessária para uma maior transparência.
Já a Comissão Especial de Favelas e Periferias protocolou uma representação para o deslocamento de competência no caso à Procuradoria-Geral da República. A solicitação ainda prevê que a PGR determine a preservação de todos os vestígios periciais e registros audiovisuais.
Megaoperação mais letal da história
A ação da última terça (28) já havia se tornado a mais letal do estado e, com a atualização mais recente de dados, virou a maior da história do Brasil, com 121, sendo 117 suspeitos e 4 policiais. Segundo o balanço das forças de segurança, 58 pessoas morreram no dia da investida policial - sendo 54 suspeitos.
Já na quarta (29), 63 corpos foram encontrados em uma área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde aconteceram os principais confrontos entre as forças de segurança e traficantes. Moradores levaram todos os cadáveres até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha. O número de óbitos oficiais pode crescer, pois as buscas ainda não estão encerradas.



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