Operação resultou na apreensão de mais de 90 fuzisÉrica Martin/Agência O Dia

Rio – Análises preliminares da Polícia Civil levantaram algumas curiosidades sobre os 91 fuzis apreendidos na megaoperação - que contou ainda com a Polícia Militar - realizada na terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, com o objetivo de atingir a estrutura do Comando Vermelho.
Por exemplo, ao menos quatro armas são oriundas das forças armadas de países vizinhos: Argentina (2), Peru (1) e Venezuela (1) – além de outras duas do Exército brasileiro.
“Isso prova o que a gente vem falando. Quase nenhum fuzil aqui é proveniente de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do Brasil, mas da fronteira pela Amazônia. Principalmente, no caso das armas que são de outras forças armadas. E também entram no nosso estado por rota terrestre, a maioria vindo do Paraguai”, comentou o delegado Vinicius Domingos, da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE).
Boa parte dos fuzis ainda está em delegacias especializadas e passará por uma perícia inicial antes de ser levada de vez à CFAE para uma análise mais minuciosa. Entretanto, antes deste processo, já foi possível identificar também a fabricação de muitos.
Por exemplo, 11 são de plataforma G3, originária da Alemanha; 13, de plataforma belga, conhecida como FAL; 16, de plataforma AK 47, que é russa; e outros vários, de plataforma AR, dos Estados Unidos.
Nesse pacote de norte-americanos, ressalta o delegado Domingos, muitos não são autênticos, também conhecidos como cop fake: “O que chama atenção é que a maior parte dos fuzis AR, quase que mais de 90%, são fuzis falsificados. Com aptidão de tiro, mas não são originais”.
Após todo o processo de perícia, aqueles fuzis que demonstrarem qualidade poderão reforçar as forças policiais do Rio futuramente.
Operação mais letal da história
A megaoperação nos Complexos do Alemão e da Penha já registrou 121 mortos. A informação foi divulgada em coletiva na Cidade da Polícia, nesta quarta-feira (28). A ação já havia se tornado a mais letal do estado e, com os dados, virou a maior da história do Brasil. Segundo o balanço das forças de segurança, 58 pessoas morreram na terça-feira (28), dia da operação. Entre elas estavam 54 suspeitos e quatro policiais.
Na quarta (29), 63 corpos foram encontrados em uma área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde aconteceram os principais confrontos entre as forças de segurança e traficantes. Moradores levaram todos os cadáveres até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha.