Rio - A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados realizou uma inspeção na Maternidade Municipal Carmela Dutra, na Zona Norte do Rio, e encontrou uma série de problemas na estrutura do prédio e na limpeza. De acordo com o relatório, há infiltrações, mofo próximo às incubadoras de recém-nascidos e até equipamentos quebrados. A falta de higienização da unidade também foi apontada como um ponto de atenção.
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A visita aconteceu na semana passada, após denúncias chegarem a Brasília, e contou com a presença da deputada federal Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ). Nesta quinta-feira (30), a parlamentar detalhou a situação precária do local.
"A maternidade está funcionando, tem gestantes, mães, bebês e profissionais dedicados, mas a estrutura física do prédio, que tem 78 anos, está em condições muito precárias. Em quase todos os espaços que visitei, encontrei mofo, infiltrações e equipamentos antigos ou quebrados. O telhado é o maior problema: qualquer chuva mais forte agrava as infiltrações e compromete o funcionamento pleno da unidade", afirmou a deputada.
Segundo a comissão, mesmo diante dessas dificuldades, a Carmela Dutra realiza cerca de 300 partos por mês, mantém um importante papel acadêmico na formação de residentes e atende casos de alta complexidade, como pré-natal de alto risco e diabetes gestacional.
"Mas também enfrenta falta de insumos, falhas em contratos e equipamentos parados, como uma das autoclaves, que está inoperante há mais de um ano. Não é falta de vontade de quem trabalha lá dentro. É falta de investimento e de atenção do poder público. Essa maternidade precisa de uma obra urgente e de condições adequadas para continuar salvando vidas", completou Rejane.
Após a visita, a comissão encaminhou um ofício à Prefeitura do Rio.
O que diz a prefeitura
Por meio de nota, a prefeitura informou que a reforma do Carmela Dutra foi iniciada em março deste ano, concluindo a primeira etapa com a renovação das instalações elétricas e climatização das enfermarias do 3º andar. "A segunda etapa da obra está prevista para dezembro, com reforma do telhado, pintura total da unidade e recuperação da climatização dos demais andares. Conforme a obra for se finalizando, o mobiliário dos setores também vai sendo trocado. Sobre os recursos humanos para as demais maternidades, os processos seletivos para contratação foram publicados e já estão sendo chamados alguns profissionais", diz o comunicado.
Cremerj diz que não foi notificada, mas se colocou à disposição
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que, até o momento, não recebeu nenhuma comunicação oficial da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados acerca deste assunto, mas está à disposição para dar os devidos esclarecimentos.
Paralelamente a isso, oórgão informou que realizou uma vistoria na UTI Neonatal da maternidade Carmela Dutra em outubro deste ano. Na ocasião, o Conselho constatou irregularidades relacionadas à estrutura e habilitação da equipe médica, incluindo a ausência de formalização do diretor clínico junto ao Cremerj, indícios de desatualização de registros do corpo clínico, além de insuficiência no número de médicos intensivistas/plantonistas em relação ao total de leitos, bem como inconsistência na comprovação de qualificação específica (Neonatologia/Medicina Intensiva Pediátrica) de todos os profissionais.
"Verificou-se, nesta fiscalização, risco assistencial diante da insuficiência ou inadequação de equipamento, como ventiladores de transporte, capnógrafos e poltronas para acompanhantes. O Cremerj enviou ofício para o Ministério Público e para a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro para providências cabíveis", disse em nota.
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