Em 2024, até o subsolo do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, ficou inundadoArmando Paiva / Arquivo O Dia
Com aproximadamente 29 mil habitantes, de acordo com o IBGE, o Complexo de Acari é cortado pelo rio que dá nome ao bairro. A combinação entre a baixa altitude do terreno, o assoreamento dos rios e a ausência de políticas efetivas de saneamento básico contribui para que as águas das chuvas não escoem adequadamente, provocando transbordamentos e danos materiais recorrentes.
A pesquisa “Retrato das Enchentes” fez 226 entrevistas apenas em Acari. Para o estudo, foi ouvida a pessoa responsável pela residência ou que tem mais conhecimento sobre o imóvel. No total, 726 moradores tiveram seus lares diretamente representados.
Segundo o estudo, 89,3% dos moradores de Acari sofreram com enchentes de mais de um metro na rua em que vivem. Enquanto isto, dos entrevistados, 81,4% tiveram suas casas invadidas com mais de um metro de água.
Do total dos participantes da pesquisa, 84,1% relata já ter perdido algum eletrodoméstico, móvel ou bem. Entre os itens mais perdidos por causa das enchentes, estão: sofá, cama, colchão, geladeira, estante, roupas, cadeiras e fogão. Além disto, 49,1% afirmou já ter tido documentos destruídos pelas águas.
A pesquisa ainda revelou que para os que perderam bens materiais, o receio de ter os itens destruídos novamente pelas enchentes faz com que muitos optem por não comprar novos móveis ou eletrodomésticos, por exemplo.
Devido às enchentes, 71,7% dos entrevistados revelaram já ter sofrido danos estruturais em seus imóveis. Em Acari, 47,8% das famílias afirmam ter feito alguma modificação na casa, como uma forma de preparação para novos alagamentos.
Entre as principais modificações, estão: o aumento do nível do térreo da casa, a elevação de nível dentro da casa para móveis, a construção de pavimento ou andar superior e o aumento da largura das escadas. Consertos de telhas e telhados também estão entre os mais comentados.
Além dos danos materiais, muitas famílias tiveram a saúde prejudicada por causa das águas, que estão longe de serem limpas. Dos entrevistados, 58,4% relataram ter apresentado algum sintoma após episódios de enchentes e 35% buscaram atendimento médico. Os sintomas mais recorrentes foram dor de cabeça, febre e diarreia.
Após as enchentes, muitas famílias afirmaram que ao menos um de seus membros recebeu algum diagnóstico médico. Entre as doenças mais comuns, estão: dengue, doenças de pele e leptospirose. A saúde mental dos moradores também é impactada com o medo de novas inundações.
Em Acari, 65,5% dos entrevistados revelaram ter recebido algum tipo de auxílio após as enchentes, enquanto 30,1% disseram não ter tido nenhum tipo de ajuda. Cerca de 26,4% das pessoas receberam abrigo e 85,8% alimentação.
As ajudas, em sua maioria, vieram de ongs da comunidade, seguido de vizinhos, entidades religiosas e o governo. Cerca de 35,8% dos entrevistados classificou a atuação do governo como “péssima” e 31,9% como “regular” durante as enchentes.
Há anos, moradores de Acari convivem com enchentes destruidoras. Em janeiro de 2024, um forte temporal atingiu a cidade do Rio e causou a inundação mais recente na região, onde milhares de casas foram invadidas pelas águas e diversos moradores perderam tudo.
De acordo com a Fundação Rio-Águas, A partir deste mês, o Rio Acari, que corta sete bairros da Zona Norte do Rio, vai receber um investimento de R$ 14 milhões para ações de limpeza e desassoreamento.

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