Mulheres fazem ato contra o feminicídio na Praia de Copacabana na tarde deste domingo (7)Reprodução/X Carmen Alcázar

Rio - Manifestantes realizaram um ato na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, na tarde deste domingo (7), pelo fim da violência contra as mulheres. A mobilização começou na altura do Posto 5 e reuniu centenas de pessoas com cartazes pedindo mais valorização das vidas femininas.
"Mulheres, é hora de levantar', "Nenhuma a menos" e "Nossa vida importa, nossa voz importa" eram algumas das mensagens gritadas pelos participantes, majoritariamente mulheres. A ação, que também aconteceu em outras cidades do país, foi motivada pelos recentes casos de violência de gênero registrados em todo o Brasil.
Organizados por coletivos, movimentos sociais e entidades feministas, os manifestantes relembraram uma série de feminicídios recentes que chocaram o país. De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses. Em 2025, dados do Ministério das Mulheres apontam mais de 1.180 feminicídios registrados e quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180.
O Centro de Operações Rio informou que o grupo ocupou a pista junto aos prédios, o que levou ao desvio do trânsito no sentido Leme para a Rua Sá Ferreira. O COR-Rio acompanhou a movimentação com o uso de drone. Equipes da CET-Rio, Guarda Municipal, Polícia Militar e Secretaria de Ordem Pública também estiveram no local.
O ato também aconteceu em outras capitais, como São Paulo (SP), Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Manaus (AM), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), São Luís (MA) e Teresina (PI).
No último dia 2, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um duro discurso contra a violência de gênero, emocionando-se ao citar casos recentes de mulheres mortas e agredidas. Lula afirmou que os homens precisam "educar uns aos outros" para coibir a violência, ressaltando que "essa não é uma tarefa só da escola, é nossa, dos homens".
Casos de feminicídio que motivaram os protestos
Na sexta-feira (5), o corpo da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos, foi encontrado carbonizado em Brasília. O crime é investigado como feminicídio após o soldado Kelvin Barros da Silva, 21, confessar a autoria. Ele está preso no Batalhão da Polícia do Exército.
No dia 29 de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de 1 km enquanto ainda estava presa sob o veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso por tentativa de feminicídio.
No início da semana, duas servidoras do Cefet-RJ, identificadas como Allane de Souza Pedrotti Matos, 41 anos, diretora pedagógica; e Layse Costa Pinheiro, 40, psicóloga, foram mortas a tiros por um funcionário da instituição, que cometeu suicídio em seguida. O agressor, João Antônio Miranda Tello Ramos, também integrante do departamento de pedagogia, foi encontrado morto por policiais militares.