Medida visa prevenir violências contra mulher em ambientes corporativosJoédson Alves/Agência Brasil

Rio - Empresas e instituições poderão contar com capacitações especializadas, eficientes e acessíveis para prevenir violências e evitar a revitimização de mulheres em ambientes corporativos, públicos e de serviços. A medida ocorrerá através da "Equalia", organização criada pelas especialistas em direito das mulheres Ana Paula Braga e a carioca Rebeca Servaes.

A ferramenta foi lançada nesta sexta (12) em meio ao levantamento que comprova o crescimento alarmante de violência contra mulheres. De acordo com Dados do Dossiê Mulher, divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), na semana passada, a taxa de feminicídio teve um aumento de 8% com relação a 2023. Já a violência psicológica foi o crime mais registrado em 2024, com 56.206 vítimas, uma média de 153 por dia.

Segundo as sócias, o projeto nasceu ao identificarem padrões recorrentes de falhas institucionais - especialmente nos processos de acolhimento de denúncias dentro de empresas grandes e pequenas, na atuação de profissionais de saúde, em ambientes de lazer e na própria rede pública de enfrentamento à violência. Para elas, a falta de capacitação adequada, além de gerar revitimização, expõe instituições a graves riscos jurídicos e reputacionais, como ações judiciais, multas e perdas financeiras.

"Vimos inúmeras situações que poderiam ter sido evitadas com medidas simples, de baixo custo e bem estruturadas. Mas muitas organizações ainda não compreendem a relevância do tema ou acreditam que tratar da violência de gênero 'não é prioridade'."
Ana Paula Braga e Rebeca Servaes, especialistas em direito das mulheres    - Divulgação
Ana Paula Braga e Rebeca Servaes, especialistas em direito das mulheres Divulgação


Ao DIA, Rebeca explicou que ela e Ana Paula trabalham no ramo de violência contra a mulher há mais de 10 anos e que a Equalia surgiu para suprir a lacuna da prevenção.
"A gente tem duas grandes frentes. Uma delas são os treinamentos, voltados para suprir uma obrigação legal que já existe. Hoje, há leis como o Entregue Mais Mulheres, o protocolo Não é Não, além de legislações regionais para condomínios e regulamentações de alguns órgãos. Nossos treinamentos são direcionados para o cumprimento dessas exigências legais", explicou.
A segunda frente, segundo a especialista, é o compliance de gênero, um tipo de atuação que busca transformar a organização de forma mais efetiva e duradoura.
"Nesse campo, conseguimos realizar capacitações mais aprofundadas, criar ouvidorias e comitês de gênero, além de investigar casos para identificar possíveis situações de assédio que nem sempre chegam ao conhecimento da gestão. Também atuamos em casos concretos, como no gerenciamento de crises, oferecendo amparo legal e prático. Tudo isso é feito com foco no acolhimento e na humanidade, porque sabemos que muitas empresas ainda não lidam com essas situações como deveriam, e é justamente aí que entra nossa expertise construída ao longo de muitos anos", ressaltou.
Sobre a metodologia, Rebeca contou como o projeto funcionará na prática.
"A nossa ideia também é criar mecanismos para que fique mais interessante para a empresa. Hoje em dia é caro a contratação de algum tipo de palestra, então a gente está trazendo algumas ferramentas para baratear isso, para fazer um treinamento mais acessível. A metodologia é nova no mercado e busca mais engajamento dos colaboradores, com microlearning, que são aulas curtas, de um a dois minutos, para que o conteúdo seja mais flexível e possível de ser implementado dentro da rotina e da estrutura das empresas."

Além disso, todo o conteúdo será online, o que possibilita redução de custos, escalabilidade e maior capilaridade de impacto.

"Nossa missão é dupla: proteger vidas e fortalecer instituições", destacam Ana Paula e Rebeca. "Unimos nossa experiência técnica com o propósito de transformar ambientes e reduzir riscos. Prevenção não é apenas uma demanda legal - é um investimento estratégico que melhora produtividade, segurança, reputação e transformação social."

A empresa passará a oferecer treinamentos segmentados por nicho, considerando particularidades e legislações específicas de setores como:

•empresas privadas;
•setor de saúde;
•educação;
•lazer e entretenimento;
•condomínios residenciais;
•equipamentos públicos;
•entre outros.