Filipe Couto afirma que o enfrentamento ao bullying deve ser contínuoDivulgação

O Dia Nacional de Combate ao Bullying, celebrado em 7 de abril e se estendendo por todo mês, reforça a importância de ampliar o debate sobre violência entre crianças e adolescentes, dentro e fora do ambiente escolar. O tema, que mobiliza educadores em todo o mundo, ganha ainda mais relevância diante do crescimento de episódios associados também ao ambiente digital, como o cyberbullying.
Nesse contexto, o Colégio e Curso pH destaca a importância de uma atuação conjunta entre escola e família para identificar sinais precoces e agir de forma efetiva. Para o diretor pedagógico da instituição, Filipe Couto, o enfrentamento do bullying passa, antes de tudo, por escuta e acolhimento.
"O bullying raramente começa de forma explícita. Ele costuma aparecer em sinais sutis, mudanças de comportamento, isolamento ou queda no rendimento. Por isso, é fundamental que adultos estejam atentos e abertos ao diálogo para que juntamente a escola, possamos agir de forma eficaz" afirma.
A seguir, o especialista elenca cinco orientações práticas para ajudar pais e responsáveis a reconhecer e lidar com possíveis situações de bullying:
1. Mudanças de comportamento merecem atenção
Queda de rendimento escolar, resistência para ir à escola, alterações de humor ou isolamento podem indicar que algo não vai bem.
2. Observe sinais emocionais e físicos
Ansiedade, irritabilidade, tristeza frequente ou até queixas físicas recorrentes, como dores de cabeça e de estômago, podem estar associados a situações de emocional.
3. Crie um ambiente seguro de diálogo
Mais do que perguntar diretamente, é importante construir uma relação de confiança para que a criança ou adolescente se sinta confortável em falar.
4. Evite respostas imediatistas
Antes de qualquer reação, é fundamental compreender o contexto. A escuta ativa ajuda a evitar julgamentos precipitados e decisões inadequadas.
5. Procure a escola e atue em parceria
A resolução de situações de bullying é mais eficaz quando há alinhamento entre família e escola, com acompanhamento e estratégias conjuntas.

E qual é o papel da escola?
Além do papel das famílias, a escola tem uma função essencial na construção de um ambiente seguro e acolhedor. Cada vez mais, instituições vêm estruturando iniciativas que tratam a convivência como parte do processo educativo.
Para além das orientações práticas, Couto destaca que o enfrentamento do bullying exige uma abordagem estruturada e contínua dentro das instituições de ensino.
"No pH, entendemos que convivência é um conteúdo que precisa ser ensinado, acompanhado e desenvolvido ao longo de toda a trajetória escolar. Não se trata apenas de intervir em situações pontuais, mas de formar alunos capazes de se relacionar com respeito, empatia e responsabilidade”, explica.
A escola desenvolve um Programa de Convivência Ética, que integra ações formativas, acompanhamento pedagógico e protocolos de prevenção e intervenção. Entre as iniciativas, estão as chamadas Equipes de Ajuda, formadas por alunos escolhidos pelas próprias turmas e preparados para atuar como pontos de escuta e apoio entre os colegas.

Esses estudantes recebem formação em escuta empática, mediação de conflitos e encaminhamento responsável, contribuindo para a identificação precoce de situações sensíveis e para a construção de um ambiente mais seguro.
"O aluno muitas vezes percebe sinais que o adulto não vê. Quando ele é preparado para acolher e encaminhar essas situações, a escola ganha em cuidado coletivo", afirma Couto.
Além disso, o programa prevê acompanhamento individualizado em casos mais delicados, com envolvimento das famílias e atuação de uma equipe pedagógica interdisciplinar.
As ações são baseadas em práticas educativas que priorizam reflexão, responsabilização e reconstrução de vínculos. A proposta pedagógica do pH reforça o papel da escola não apenas na preparação para exames, mas na formação de cidadãos conscientes e preparados para conviver em sociedade.
O combate ao bullying é um processo contínuo, que envolve atenção, escuta e parceria entre escola e família. Criar ambientes mais acolhedores e conscientes é um passo fundamental para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.