Defesa de Jairinho, já havia abandonado o júri do caso Henry Borel anteriormente Arquivo / Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
Jairinho dispensa equipe de defesa após início do julgamento do caso Henry Borel
Apenas um advogado, que sofreu um infarto no último sábado (23), continua no processo. MPRJ pediu transferência do ex-vereador para Bangu 1
Rio - O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, dispensou toda a equipe de defesa, menos um advogado, logo após o início do julgamento do caso Henry Borel, no II Tribunal do Júri da Capital, no fim da manhã desta segunda-feira (23).
A decisão foi tomada depois que um dos advogados da equipe, Fabiano Lopes, sofreu um infarto do miocárdio, no último sábado (23). Antes da sessão, a defesa havia dito que entraria com um pedido de adiamento, mas já previa a negativa.
Quando destituiu a defesa, Jairinho disse que não queria ser julgado sem a presença de Fabiano, já que o advogado é o único que tem conhecimento de outros três processos acessórios que ele responde em segredo de Justiça. Três testemunhas envolvidas nestes casos estão no tribunal nesta segunda-feira.
"Soube ontem do problema com Dr. Fabiano. Pedi que mantivesse o plenário hoje. Sei que tem três processos que estou respondendo também e essas três pessoas estão aqui para ser testemunha. A única pessoa que tem condição de inquerir essas pessoas é o Fabiano. Falaram para mim que não tinha condição de tocar nesse intervalo de tempo, de ontem à noite até hoje de manhã. Fica impossível eu ser defendido nesse momento, porque a pessoa que está me defendendo infartou e ele é quem tem conhecimento dos fatos para mostrar aos jurados a verdade. Eu queria muito, do fundo do meu coração, pelos meus três filhos, começar esse plenário, mas eu estou indefeso", disse.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu o desmembramento do júri, fazendo com que Monique Medeiros, mãe do menino, continue a ser julgada nesta segunda-feira. Além disso, o MPRJ pediu a transferência de Jairinho, atualmente preso em Bangu 8, para Bangu 1. O regime mais rígido se aproxima mais de um cumprimento penal.
"Todos sustentam que o resultado tem que ser a absolvição, mas o Jairo está desconstituindo. Temos mais um dia que jurados são convocados, toda uma estrutura judicial é mexida com isso, sendo que a defesa tem plena possibilidade. O fato dele estar postergando mais uma vez parece uma fuga da realidade. Ele está brincando com a Justiça", afirmou o promotor Fabio Vieira.
Assistente de acusação, o advogado Cristiano Medina classificou a decisão de Jairinho como "uma estratégia para adiar o julgamento. É muito estranho ouvir que está indefeso com o Dr. Zanone [Júnior] em uma banca. É um dos advogados mais respeitados do Brasil", alegou.
A defesa de Monique Medeiros, no entanto, afirmou que não poderia seguir com o julgamento se que Jairo também participasse e pediu, novamente, o relaxamento da prisão. "Nós até concordaríamos, mas questão de lógica jurídica para Monique ser julgada precisa partir de um preceito que Jairinho fez algo", disse a advogada Florence Rosa.
Monique foi às lágrimas e conversou reservadamente com os advogados, revelando o desejo de não querer sair da cadeia para não correr o risco de ter que retornar ao sistema prisional. A defesa, então, informou que não está pedindo a revogação da prisão e disse que a juíza tem obrigação de julgar a nulidade, já que Monique está respeitando o processo.
O menino Henry Borel foi assassinado em 8 de março de 2021. Antes de ser morta, a criança estava em um apartamento com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho.


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