Chiquinho Brazão é alvo de operação da Polícia Federal que investiga suposto desvio de emendas parlamentaresReprodução Redes Sociais

Rio – Chiquinho Brazão é alvo da Polícia Federal no âmbito da Operação Emendatio, que apura suposto esquema de desvio de emendas parlamentares federais destinadas a organizações da sociedade civil (OSCs). Até o momento, foram cumpriram dois mandados de prisão e 21 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, também determinou o bloqueio de R$ 100 milhões em bens. 
Um dos mandados de prisão foi cumprido contra o empresário Raphael da Silva Gonçalves, localizado na casa dele, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste. O outro teve como alvo o policial militar e ex-assessor Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, que está preso por suposto envolvimento no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Chiquinho e o irmão, Domingos Brazão, foram condenados como mandantes do crime contra a vereadora. Segundo a PF, a Operação Emendatio tem origem em desdobramentos do caso Marielle, que aconteceu em 14 de março de 2018.   

O esquema
De acordo com os investigadores, parte dos recursos repassados por meio de verbas parlamentares teria sido desviada. Os recursos seriam destinados a entidades sem fins lucrativos que mantinham parcerias com órgãos da administração pública federal. O repasse ocorria mediante pagamentos irregulares, uso de empresas de fachada e mecanismos para ocultar a origem e o destino dos valores.

A suspeita é que o grupo utilizava as OSCs, pessoas físicas e empresas ligadas aos suspeitos para a movimentação financeira e a ocultação patrimonial. A PF apura ainda indícios de superfaturamento, conluio em cotações de preços e a não execução dos contratos firmados pelas instituições envolvidas.

As medidas cumpridas nesta quinta visam reunir novas provas, identificar outros possíveis envolvidos, aprofundar a análise patrimonial e recuperar ativos de origem ilícita.

Segundo a Polícia Federal, os fatos podem configurar os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de outros delitos que venham a ser identificados no decorrer do inquérito.
Notas de defesa
Em nota, a defesa de Domingos Brazão, representada pelo advogado Marcio Palma, informou que ainda não teve acesso aos autos.

"Sobre a operação de hoje, até o momento não temos conhecimento de nada além das informações veiculadas pela imprensa. Não tivemos acesso a nenhum dado do processo e não temos conhecimento dos fatos. Não temos confirmação dos alvos das medidas, nomes dos investigados, locais de busca e apreensão e qual relação o desvio de emendas teria com o caso Marielle. Tudo o que sabemos decorre das matérias jornalísticas. Não temos conhecimento da decisão, de seus alvos, objetivos e limites", disse.
A reportagem de O DIA tentou contato, por meio de mensagens de WhatsApp, com as defesas do ex-deputado federal Chiquinho Brazão e do policial militar Robson Calixto, mas não obteve retorno até o momento da publicação desta matéria. O jornal também busca contato com a representação legal do empresário Raphael da Silva Gonçalves, mas não conseguiu localizar a defesa dele. O espaço segue aberto para manifestações.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral.