Publicado 09/07/2026 08:56
Rio - A Polícia Civil realizou buscas, na manhã desta quinta-feira (9), por um suspeito de envolvimento no estupro coletivo de uma adolescente, ocorrido em Botafogo, na Zona Sul, em agosto de 2023. Gabriel de Oliveira Palmieri, de 24 anos, já é considerado foragido da Justiça.
PublicidadeA 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital, do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), expediu um mandado de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão contra o homem na última segunda-feira (6).
As equipes receberam informações indicando que ele estaria escondido na casa de um amigo. Agentes da 12ª DP (Copacabana) estiveram em endereços em Botafogo e no Catumbi, na região central, mas não o encontraram.
Gabriel, conhecido como De Paris, foi indiciado, em junho, por estupro coletivo qualificado. Na época, a 12ª DP pediu medidas cautelares diversas da detenção, como a proibição de aproximação da vítima, devendo o suspeito ficar em uma distância mínima de 100 metros. Além disso, a distrital também solicitou a proibição de contato com a jovem por qualquer meio e o comparecimento obrigatório dele em juízo.
Segundo as investigações, o abuso aconteceu na residência de Mattheus Veríssimo Zoel Martins, que está preso por participar de crime semelhante ocorrido em Copacabana, na Zona Sul, em janeiro desse ano.
Em depoimento, a vítima contou que foi atraída ao local por um adolescente, de 14 anos, para um encontro privado. Após ir até o quarto com o jovem, ela começou a ser coagida a permitir a entrada de Gabriel e de Mattheus.
A mãe da menina afirmou que ela foi submetida, por cerca de uma hora e meia, a sexo forçado com os três jovens, sendo agredida com tapas no rosto e socos na costela. Depois do crime, um vídeo com os abusos teria sido divulgado, como forma de constrangê-la.
Mattheus e o adolescente foram indiciados por fato análogo a estupro coletivo qualificado.
Crime de Copacabana
O abuso de Botafogo veio à tona depois da investigação sobre o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, que ocorreu em Copacabana, em janeiro desse ano. Mattheus, agora com 19 anos, se entregou em março após ser indiciado por esse crime. Já o adolescente está internado para cumprir medidas socioeducativas, sem possibilidade de sair para atividades externas por, ao menos, seis meses.
"Ambos os casos possuem bastante semelhanças, uma vez que as vítimas foram atraídas para esses encontros pelo mesmo adolescente infrator, que já tinha a confiança delas e já tinha se relacionado com elas. Chegando nesses locais, elas foram emboscadas e submetidas não só à violência sexual, mas também à violência psicológica e física, uma vez que foram agredidas com tapas, socos e chutes", explicou Ângelo Lages, delegado titular da 12ª DP.
O estupro coletivo de Copacabana teria acontecido em 31 de janeiro. De acordo com a vítima, ela recebeu uma mensagem de um colega da escola, com quem já teve um relacionamento anteriormente, a convidando para ir à casa de um amigo. Ao chegar no prédio, o rapaz insinuou que fariam "algo diferente", proposta prontamente recusada pela menina.
No imóvel, a adolescente foi conduzida a um quarto, onde ficou trancada com quatro homens que insistiam em manter relações com ela. Mesmo com a negativa, o grupo se despiu e praticou os abusos, inclusive fazendo uso de violência física e psicológica.
Após a denúncia, investigadores da 12ª DP analisaram imagens do circuito interno do prédio, onde ficou provado que os citados no boletim de ocorrência estavam no local no momento do crime. Câmeras de segurança mostraram a chegada dos jovens ao apartamento e a saída deles, pouco depois de 1h.
Em abril, a Vara da Infância e da Juventude da Capital determinou a internação do adolescente que chamou a vítima para o apartamento. A decisão levou em conta a gravidade do crime. De acordo com a sentença, o jovem planejou a emboscada contra a menina, com quem mantinha um relacionamento afetivo.
Mattheus, João Gabriel Xavier Bertho, Vitor Hugo Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti viraram réus por estupro coletivo qualificado (cometido em concurso de pessoas) e cárcere privado. Eles estão presos desde março.
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