Segundo as investigações da 12ª DP (Copacabana), o abuso de 2023 aconteceu na residência de Mathheus Veríssimo Zoel Martins, que na época tinha 17 anos. Em depoimento, a vítima contou que foi atraída para o local por um adolescente, de 14 anos, para um encontro privado. Depois de ir para o quarto com o jovem, ela começou a ser coagida a permitir a entrada de Matheus e de Gabriel Oliveira Palmieri, de 24 anos.
A mãe da vítima afirmou que a menina foi submetida, por cerca de uma hora e meia, a sexo forçado com os três jovens, sendo agredida com tapas no rosto e socos na costela. Após o crime, o vídeo com as filmagens ainda teria sido divulgado, como forma de constrangimento.
"Entendemos que a dinâmica é muito semelhante ao ocorrido esse ano em Copacabana, quando o mesmo adolescente foi o responsável por atrair a vítima. O relato da adolescente é muito consistente, existindo a prova de materialidade. Temos fotográficas das lesões, tiradas na época do fato, e mensagens de telefone posteriores ao caso, que corroboram os fatos. Pelos dois estarem envolvidos em um crime semelhante recente, pedimos a busca e apreensão", explicou o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP.
Ao ser preso, no início de março, Mattheus foi questionado pela polícia sobre as acusações de 2023, mas exerceu seu direito constitucional ao silêncio. O mesmo aconteceu com o adolescente.
Sobre o caso de 2023, ambos vão responder responder por fato análogo a estupro coletivo qualificado. De acordo com a Polícia Civil, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) já se manifestou a favor da busca e apreensão dos jovens. O processo foi distribuído para a Vara da Infância e da Juventude.
Já Gabriel Palmieri, conhecido como De Paris, foi indiciado por estupro coletivo qualificado. A 12ª DP pediu medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de aproximação da vítima, devendo o suspeito ficar em uma distância mínima de 100 metros. Além disso, a distrital também solicitou a proibição de contato com a vítima por qualquer meio e o comparecimento obrigatório em juízo.
"Em relação ao Gabriel, pela ausência de contemporaneidade, entendemos que cabe medidas diversas da prisão e ele foi indiciado pelo crime de estupro coletivo", disse Lages.
Anteriormente, Gabriel compareceu acompanhado de advogada na 12ª DP e negou participação nos fatos, embora tenha confirmado conhecer os outros dois jovens e frequentar a residência de Mattheus.
Caso de Copacabana
O estupro coletivo teria acontecido na noite do dia 31 de janeiro, em Copacabana. Segundo a vítima, ela recebeu uma mensagem de um colega da escola, com quem já teve um relacionamento anteriormente, a convidando para ir à casa de um amigo. Ao chegar no prédio, o rapaz insinuou que fariam "algo diferente", proposta prontamente recusada pela menina.
No imóvel, a adolescente foi conduzida a um quarto, onde ficou trancada com quatro homens que insistiam em manter relações com ela. Mesmo com a negativa, o grupo se despiu e praticou os abusos, inclusive fazendo uso de violência física e psicológica.
Após a denúncia, investigadores da 12ª DP analisaram imagens do circuito interno do prédio, onde ficou provado que os citados no boletim de ocorrência estavam no local no momento do crime. Câmeras de segurança mostraram a chegada dos jovens ao apartamento e a saída deles, pouco depois de 1h.
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