Evento do MPRJ marcou o Dia Mundial de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa com divulgação de dados preocupantesDivulgação
As estatísticas também mostram que os abusos ocorrem predominantemente dentro de casa. Das queixas recebidas, 2.154 apontam a residência da própria vítima como o local das agressões, reforçando o caráter doméstico do problema.
A negligência aparece como a principal violência praticada contra a terceira idade no estado, correspondendo a 29% do total. Esse tipo de violação é caracterizado pela ausência de cuidados básicos e assistência necessários para garantir a segurança, a saúde e a dignidade do idoso.
Durante a apresentação do painel, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, destacou que a criminalidade contra esse público vai além dos maus-tratos físicos, englobando golpes financeiros, fraudes e crimes cibernéticos.
“O aumento dos indicadores exige uma atuação conjunta do poder público e da sociedade para garantir proteção efetiva à população idosa, especialmente diante do crescimento de fraudes e crimes praticados por meios digitais”, afirmou.
Para o coordenador do CAO Pessoa Idosa/MPRJ, Luiz Cláudio Carvalho, os números reais podem ser ainda maiores devido à subnotificação. Segundo ele, muitos episódios permanecem invisíveis, especialmente em situações de abandono.
“Boa parte das famílias não dispõe de condições financeiras ou de uma rede de apoio capaz de atender às necessidades de idosos que perderam a autonomia. Isso contribui diretamente para o avanço dos casos de abandono e negligência identificados pelo Ministério Público”, ressaltou.
Além da divulgação do balanço estatístico, o encontro reuniu especialistas para debater mecanismos de proteção. Entre os temas abordados estiveram a aplicação do Estatuto da Pessoa Idosa, a fiscalização de instituições de longa permanência (asilos) e a atuação da Patrulha da Pessoa Idosa 60+, iniciativa da Polícia Militar voltada ao atendimento especializado desse público.
Como denunciar
Casos de maus-tratos ou violações contra idosos podem ser comunicados ao Ministério Público do Rio de Janeiro pelo telefone 127 ou pelos canais digitais da Ouvidoria do órgão. As denúncias também podem ser feitas por meio do Disque 100, serviço nacional de direitos humanos.

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