Obra no Aterro do Flamengo gerou revolta entre moradoresLuiz Neves / Arquivo pessoal
“A gente já viu um cercamento ocorrendo há alguns meses. De repente, acabou a Maratona do Rio e dois dias depois eles começaram a colocar equipamentos dentro desse terreno, onde existia um posto de gasolina que ficou fechado há uns 2 ou 3 anos. Eles prolongaram o cercamento. Expandiram tanto na frente quanto atrás. Não é mais o terreno onde o posto, pegaram um muito maior para a construção de um prédio comercial, que é o que está escrito na placa. A gente ficou assustado”, diz.
Segundo ele, além da expansão do terreno, ainda foram feitas podas e retiradas de árvores do local, que é patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para os moradores, uma das principais dúvidas envolve justamente as autorizações necessárias para a realização da obra em uma área que é protegida.
“Começaram a mexer nas árvores, derrubaram algumas e podaram outras de uma maneira bem agressiva. Na placa com as informações da obra, eu não vi nenhuma informação a respeito de estudos ambientais. Se é um bem tombado, deveria ter autorização do Iphan, não somente de uma secretaria da prefeitura. Estamos meio sem saber o que é isso que estão fazendo e quem autorizou”, relata.
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“Você atrai turistas para cá e ao invés de ter uma paisagem deslumbrante, vai ter uma concessionária de automóveis no Aterro do Flamengo. É contraditório. É destruir um local onde os cariocas correm e cuidam da saúde. A gente vem aqui para cuidar da saúde, para espairecer, para ver o pão de açúcar, o corcovado… Não é para ter prédio. Quem autorizou isso não gosta do Rio de Janeiro. É um cartão postal. Você não sai da sua casa para ver um prédio comercial. Você sai para ver a paisagem”, aponta.
Para ele, a intervenção pode, inclusive, prejudicar o turismo justamente por causa da alteração da paisagem. “Quem é que vai sair da Europa, com euros para gastar aqui, para olhar o que eles estão fazendo? O turismo hoje é um dos tripés que sustentam o estado do Rio. Como é que você vai destruir a paisagem que atrai turistas?”, afirma.
Por meio de nota, a Prefeitura do Rio informou que o projeto autorizado para o canteiro central do Aterro do Flamengo, na altura da Praia de Botafogo, prevê a instalação de um eletroposto com três pontos duplos de recarga de veículos elétricos, resultado de licitação pública realizada em 2024. Segundo o município, a estrutura será implantada na mesma área onde funcionou anteriormente um posto de combustíveis, sem ocupação de nova área do parque.
A administração municipal destacou ainda que a construção terá altura máxima de 6,21 metros, inferior à da instalação que existia no local, e que não há previsão de supressão de vegetação. A prefeitura acrescentou que o empreendimento seguirá toda a legislação urbanística, ambiental e patrimonial vigente, incluindo as exigências dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio cultural e paisagístico.
Procurados por O DIA, a GWM Américas, empresa responsável pelo empreendimento, não respondeu os questionamentos da reportagem até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.










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