Estupro coletivoReprodução

Rio – A Vara da Infância e da Juventude da Capital determinou, nesta sexta-feira (17), a internação do adolescente que participou do estupro coletivo em um apartamento de Copacabana, Zona Sul. A decisão levou em conta a gravidade do caso e a violência empregada, além do entendimento de que o jovem teria planejado a ação contra a vítima, de 17 anos, com quem mantinha um relacionamento.

Ele ficará em regime fechado por pelo menos seis meses. Na sentença, a juíza Vanessa Cavalieri destacou que a gravidade da conduta e a falta de limites no ambiente familiar contribuíram para a aplicação da medida. 

O adolescente prestou depoimento na segunda-feira (14) durante audiência de instrução. Ele se entregou à Polícia Civil no dia 6 de março. A vítima foi ouvida por videoconferência, com acompanhamento de uma psicóloga.

Na decisão, a magistrada destacou a importância do relato da jovem, ressaltando que, em casos dessa natureza, geralmente sem testemunhas, a palavra da vítima tem relevância. O depoimento foi considerado coerente e detalhado, além de compatível com exames que apontaram agressões físicas.

A sentença também se baseou no Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento orienta que a análise de casos de violência contra mulheres leve em conta desigualdades estruturais. Segundo a juíza, a medida busca assegurar equilíbrio no processo diante das dificuldades de comprovação desse tipo de ocorrência.

Segundo as investigações do caso, o adolescente foi o mentor do crime e o responsável por atrair a vítima até ao apartamento onde ocorreu o estupro coletivo. Além dele, Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos, Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18, Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19, e João Gabriel Xavier Bertho, 19, também participaram do ato. Os quatro tiveram as prisões mantidas pela Justiça.
Relembre o caso

O estupro coletivo ocorreu na noite do dia 31 de janeiro, em Copacabana. Ela recebeu uma mensagem de um colega da escola, com quem já havia tido um relacionamento anteriormente, a convidando para ir à casa de um amigo. Ao chegar ao prédio, o rapaz insinuou que fariam "algo diferente", o que foi prontamente recusado por ela.
No interior do apartamento, a jovem foi conduzida a um quarto, onde ficou trancada com quatro homens, que insistiram para ela manter relações com eles. Com a nova negativa, eles tiraram as roupas e passaram a cometer violências físicas e sexuais. Câmeras de segurança mostraram a chegada do grupo ao apartamento e a saída deles, pouco depois de 1h.
Um vídeo, divulgado pelo "Fantástico", da TV Globo, eles aparecem comemorando e fazendo piadas, em tom de deboche, enquanto deixam o apartamento onde ocorreu o abuso. "A mãe de alguém teve que chorar porque as nossas mães hoje...", disse um deles. O vídeo contribuiu para a investigação da 12ª DP (Copacabana).