A natação ajuda e muito no desenvolvimento das criançasMichele Gomes / Instituto Uevom

O acesso a terapias e a atividades inclusivas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda é um desafio. Nesse contexto, o Instituto Uevom proporciona, de forma gratuita, esportes adaptados, além de suporte e acolhimento por meio da gestão de equipamentos públicos voltados a essa população. A iniciativa acontece em bairros da Zona Norte, Oeste e Sudoeste do Rio. Ao todo, são quase duas mil pessoas com autismo atendidas, divididas entre o Complexo da Maré, Irajá, Praça Seca e Santa Cruz.As ações propiciam a autonomia, a participação em grupos e as habilidades motoras de alunos e usuários com TEA, condição caracterizada pela dificuldade de se comunicar, de interagir e pela adoção de comportamentos restritos ou repetitivos.
"Nossa organização reconhece a necessidade de garantir a acessibilidade de pessoas com autismo. Trabalhamos muito para que todos tenham acesso aos direitos e, assim, alcancem uma vida plena, saudável e feliz", afirma Cátia Simão, diretora técnica do Instituto.
Segundo a pesquisa Mapa Autismo Brasil, a maioria das famílias com integrantes autistas gasta até R$ 1 mil por mês com terapias, e apenas 15,5% utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS).
O Uevom atende gratuitamente 1.939 pessoas com autismo por meio da gestão dos Centros Municipais de Referência da Pessoa com Deficiência (CMRPD) em Irajá, Praça Seca e Santa Cruz.
Nos CMRPD, que são unidades da Prefeitura do Rio, o Instituto oferece oficinas, terapias e assistência social. Gideon da Silva, de 11 anos, é um dos frequentadores do CMRPD do Mato Alto, na Praça Seca, Zona Sudoeste do Rio. No local, ele trabalha coordenação motora, cognição e percepção por meio das aulas de computação e arte ambiental, em que aprende sobre o ato de plantar, colher, cuidar do meio ambiente e de aprendizados sobre tecnologia.
A mãe do estudante, Alexsandra Silva, afirma que, com as ações da equipe do Centro de Referência, Gideon, em cerca de um ano, apresentou mudanças significativas no comportamento. Um dos momentos marcantes nesse progresso foi quando ele demonstrou interesse em estudar sobre a vida dos animais, em razão dos trabalhos de arte ambiental.
"Ele não brincava com outras crianças, não gostava de festa e não parava quieto. Por meio das aulas de computação passou a interagir. Hoje, está melhor em muitos aspectos, como respeitar as pessoas e o meio ambiente. Além de ter aprendido a dividir, a esperar, a gostar de sair para brincar, ver as árvores e os animais", pontua Alexsandra.