O jovem chegou acompanhado do advogado Ângelo Máximo. A defesa contou que ele nega ter participado do estupro. "Eu não acredito no ponto de conivência. O fato dele estar junto não quer dizer que praticou. Vitor nega qualquer fato de cometimento do crime. Ele fala que não participou do fato. O Vitor não tem como negar que esteve no apartamento, mas o crime ele nega", contou.
Máximo alegou que em nenhum momento o cliente teve a oportunidade de dar a sua versão antes de ter a prisão decretada.
"A defesa vê, por enquanto, uma acusação precipitada. Não foi até agora dado o direito de defesa ao Vitor. Ele tinha a oportunidade de se manifestar antes do decreto da prisão preventiva, mas a autoridade policial não optou em dar esse direito de defesa. Por isso, o Vitor está sendo execrado, julgado monocraticamente, sem o direito da ampla defesa e sem ter ao seu favor a presunção de inocência. Essa é a verdade. Falo isto aos senhores na condição de pai que sou. Tenho um casal de filhos. Me ponho do lado da suposta vítima quanto do lado do meu assistido. Ela pode ter sido vítima desse brutal fato, como ele pode ser inocente, como eu acredito que é", completou.
Vitor ficou em silêncio nesta quarta na 12ª DP (Copacabana). Ele é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do Rio, exonerado nesta quarta. Em nota, a pasta informou que a medida foi adotada no âmbito administrativo, visando resguardar a integridade institucional e assegurar a condução responsável dos fatos noticiados.
Outros dois investigados se entregaram à Polícia Civil nesta terça-feira (3): Mattheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 anos, e João Gabriel Xavier Bertho, também 19. Já Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18, segue foragido. Os quatro envolvidos responderão pelo crime de estupro.
A Polícia Civil também identificou a participação de um adolescente, que responderá por ato infracional análogo ao mesmo crime. O jovem atraiu a vítima para o apartamento onde o abuso aconteceu, que é imóvel da família de Vitor Hugo.
"A gente está aguardando ainda uma posição da Justiça em relação à internação dele. Nesse momento, ele não não é considerado foragido, porque são processos separados. Já pedimos a apreensão do menor", disse o delegado Ângelo Lages, responsável pela investigação.
Questionada sobre a acusação da defesa de Vitor, a Polícia Civil ainda não respondeu. O espaço está aberto para manifestação.
Vítima com sangramentos
Segundo Lages, a adolescente chegou muito machucada à delegacia após os abusos. "Ela saiu do apartamento totalmente abalada psicologicamente, mas teve a coragem de contar o que aconteceu. Para ela, é um momento difícil, mas ela contou para o irmão. Assim que chegou em casa ela contou para a mãe, que não teve dúvida e procurou a Polícia Civil. Ela estava sangrando aqui na delegacia, totalmente abalada, com lesões aparentes”, lembrou.
O delegado explicou que a menina foi encaminhada para um exame de corpo de delito e prestou depoimento, que foi “totalmente compatível” com as lesões apresentadas.
"O perito deixou isso muito claro. Tudo o que ela narrou era compatível com as lesões. Ela tinha lesões no órgão sexual, nas costas, nas nádegas… inclusive, ela tinha uma suspeita de fratura da costela. Isso tudo foi constatado pelo legista e batia exatamente com a narrativa dela, com o que ela declarou para a gente", descreveu.
Após a primeira ida à delegacia, a vítima foi chamada novamente depois que os investigadores tiveram acesso às imagens de câmeras de segurança e os envolvidos no crime, que aconteceu na noite de 31 de janeiro, foram identificados.
"Posteriormente, a gente chamou novamente a vítima e ela reconheceu todos eles. De alguma forma, ela já conhecia eles de vista. Eles praticamente têm a mesma idade, frequentavam os mesmos locais, dois deles estudavam no mesmo colégio dela. A gente não teve dificuldade de qualificar e identificar esses criminosos. Com todos eles identificados, imediatamente representamos pela prisão e pela busca e apreensão. Eu tinha muito interesse em avançar com a investigação, colhendo os aparelhos celulares. Isso foi para o plantão judiciário, que entendeu que não era caso de plantão e decidiu redistribuir o feito. Foi quando a gente teve esse lapso entre o fim da investigação e a decretação da prisão deles”, explicou.
Para o delegado, o crime foi planejado com cuidado pelo grupo. "Ela já conhecia esse adolescente infrator, tinha um relacionamento, confiava nele. Achando que ia se relacionar com ele, entrou no quarto, fecharam a porta, mas não trancaram, e ela foi surpreendida pela entrada de quatro adultos. Uma adolescente trancada em um quarto com cinco homens. A gente tem encarado isso como uma emboscada muito bem planejada”, afirmou.
Lajes ainda alertou: "O que eu acho que deve ficar muito claro, para os meninos, é que não é não. Isso aí é fundamental e a investigação deixou isso muito claro. A todo momento, ela disse que não se relacionaria com mais ninguém. Isso ficou mais do que claro para a gente. Não tivemos dúvida nenhuma na questão da tipificação da conduta, uma vez que ela, já no caminho, disse que não teria nada com ninguém. Subindo no elevador, ele voltou a insinuar que queria outra coisa e ela disse que não faria nada com ninguém. Esse adolescente infrator se valeu da confiança adquirida dessa menina, por estudar no mesmo colégio e já ter tido relação com ela, para atraí-la até esse apartamento".
Relembre o caso
O estupro coletivo teria acontecido na noite do dia 31 de janeiro, em Copacabana. Segundo a vítima, ela recebeu uma mensagem de um colega da escola, com quem já teve um relacionamento anteriormente, a convidando para ir à casa de um amigo. Ao chegar ao prédio, o rapaz insinuou que fariam "algo diferente", o que foi prontamente recusado por ela.
No interior do apartamento, ela foi conduzida a um quarto, onde ficou trancada com quatro homens que insistiam para ela manter relações com eles. Câmeras de segurança mostraram a chegada dos jovens ao apartamento e a saída deles, pouco depois de 1h.
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