Mãe e familiares de Alana comemoram alta na saída do hospitalAna Fernanda Freire/Agência O DIA

Rio - Após quase um mês internada, a estudante Alana Anisio Rosa, de 20 anos, vítima de tentativa de feminicídio em São Gonçalo, na Região Metropolitana, recebeu alta na manhã desta quarta-feira (4). Na porta da unidade, familiares e amigos a receberam com cartazes e balões brancos para celebrar a vida e pedir por Justiça. Ainda abalada e com alguns curativos, ela deixou o local em um carro da família, sob aplausos e muita emoção.


Emocionada e abraçada por todos que estavam no local, a mãe da jovem, Jaderluce Anisio, contou o sentimento de gratidão com a recuperação da filha.

"Minha filha é um milagre! A minha filha sobreviveu a mais de 30 facadas, ele bateu com a cabeça dela no chão várias vezes. O coração hoje está grato, graças a Deus", comentou a mãe enquanto deixava a unidade.

Mesmo após a alta, a mãe explicou que a luta ainda continua. “Eu estou muito grata mesmo, meu coração está transbordando de felicidade, eu não sei nem explicar o que eu tô sentindo nesse momento. É alívio e gratidão, obrigado ao Hospital e Clínicas São Gonçalo que acolheu minha filha muito bem, ao doutor Alex, que cuidou dela do início ao fim. Eu só tenho que agradecer e pedir a Deus pra continuar dando força pra gente, porque agora ela saiu do hospital, mas a gente sabe que vai ter outras coisas pra ela pensar, pra ela resolver. Eu espero que a cabecinha dela esteja bem e que dê tudo certo”, disse.

Jaderluce explicou também que Alana está um pouco assustada com a repercussão do caso e reforçou o pedido por Justiça.

"A Alana é muito reservada, o Instagram dela é privado, como o meu também era. Eu só abri para divulgar o caso dela, porque é muito triste o feminicídio e a tentativa de feminicídio. Ela só não queria namorar, não era ele, era nenhum, ela não queria namorar ninguém, ela só queria estudar e ser médica, se tornar uma grande médica. Então a gente vai lutar com unhas e dentes para acabar com isso, com o feminicídio, o não é não. Eu vou lutar por todas nós, pela minha filha e por todas nós, podem ficar tranquilas, eu não vou desistir", frisou.

De modo geral, o sentimento entre familiares e amigos que estavam no entorno do hospital era de alívio. No local, o tio da Alana, Jorge Carlos Santana, 70 anos, relembrou que durante a internação houve dias muitos difíceis, de medo.

"Hoje é um sentimento de alegria. Foram dias muito dolorosos, de apreensão, mas eu acho que, graças a Deus, acho não, tenho certeza, que está dando tudo certo e vai dar mais certo ainda. Agora é focar na saúde dela, na recuperação total e no fato da Justiça também, né? Tem que ter justiça. Ele tem que pagar. Tem que dar uma parada nessas tentativas de feminicídio, isso tem que ser parado, neutralizado, de uma vez por todas. Esse é meu pensamento, para que não venha ocorrer com outras moças, com outras mulheres, porque isso aí está se tornando o cotidiano", afirmou.

Amiga da família, Loruany Siqueira, 35 anos, acrescentou estar na torcida para a recuperação. "Foi muito sofrido pra família, eu trabalho com o pai dela, então foi muito angustiante pra gente saber que ela estava correndo risco, mas Deus é tão maravilhoso que hoje deixou ela livre disso tudo. A única coisa que a gente pede o tempo inteiro é que seja feita Justiça por ela, por todas as outras mulheres que sofrem no mesmo sentido. E a única coisa que eu tenho que fazer agora é agradecer a Deus e torcer para recuperação dela", relatou.
A jovem foi atingida por mais de 30 facadas ao ter a casa invadida por Luiz Felipe Sampaio, preso em flagrante. Os dois se conheceram na academia e ele não aceitou a rejeição da vítima para iniciar um relacionamento.
Brasil registra recorde de feminicídios
Em 2025 o Brasil atingiu o recorde de 1.470 casos de feminicídio, o que representa o total de quatro mulheres assassinadas por dia. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
De acordo com um levantamento do Painel de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia no ano passado, um aumento de 17% em comparação a 2024. Ao todo, foram 15.453 julgamentos.
Ainda em 2025, o Poder Judiciário recebeu 11.883 novos casos, uma média de 32 por dia e um aumento de 16% em relação ao anterior.
Nesta terça-feira (3), no Mês Internacional da Mulher, a primeira-dama Janja Lula da Silva comentou sobre casos de violência durante entrevista no programa Sem Censura, da TV Brasil. Ele chegou a revelar que já foi vítima de dois casos de assédio durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 
"Se eu, como primeira-dama, que tenho toda uma equipe em torno, um olhar, câmeras e cuidados [fui assediada], imagina uma mulher no ponto de ônibus às 22h? A gente não tem segurança em lugar nenhum", afirmou.
Janja também defendeu que "não se pode normalizar esses crimes que acontecem no País e no mundo" e alertou para a presença de discursos violentos contra as mulheres nas redes sociais.