Relatório preliminar do Cenipa aponta que helicópteros tinham planos de voo semelhantesReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Publicado 16/07/2026 10:54
Rio - O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), divulgou o relatório preliminar do acidente entre dois helicópteros que matou seis pessoas, incluindo o cantor americano Oliver Tree, em junho. De acordo com as investigações, as aeronaves tinham planos de voos semelhantes.

Segundo o Cenipa, o helicóptero PP-MAC – que transportava o piloto Alexandre Souza e os passageiros Lucas Brito Chaves, Oliver Tree Nickel, Lucas Vignale e Gaspar Prim – decolou do aeroporto de Jacarepaguá, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, e tinha como destino o heliponto Piratas Mall, em Angra dos Reis, na Costa Verde.

Já a outra aeronave, a PR-DJJ, que tinha apenas o piloto Charles Marsillac, saiu do Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, com destino ao heliponto Helicentro Guaratiba, na Ilha de Guaratiba, na Zona Oeste.

O relatório preliminar aponta que os helicópteros possuíam planos de voos semelhantes. Os dois previam as Rotas Especiais de Helicópteros (REH) Praia e Grota, além de altitudes coincidentes.

De acordo com o Cenipa, a colisão aconteceu entre as posições conhecidas na aviação como “Tachas” e “Piabas”.
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A FAB ressaltou que o relatório final será divulgado no menor prazo possível, considerando sempre a complexidade da ocorrência e a necessidade de identificação dos possíveis fatores contribuintes. Após a conclusão da investigação, o documento será publicado no site do Cenipa.

Relembre o caso

Os dois helicópteros colidiram no ar e caíram no pátio de uma concessionária da BYD, na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, em 14 de junho. Uma das aeronaves pegou fogo antes mesmo de tocar o solo, o que causou múltiplas explosões devido às baterias dos carros elétricos.

Segundo relatos de moradores, o barulho da colisão e queda se assemelhou ao de estouros de fogos de artifício. Um grande incêndio se formou no local.

As vítimas foram identificadas como os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsillac, além do cantor americano Oliver Tree Nickel, o produtor musical brasileiro Lucas Brito Chaves, o youtuber e humorista argentino Gaspar Prim Díaz, e o diretor e roteirista argentino Lucas Vignale.

Os dois pilotos eram experientes e possuíam muitas horas de voo. Eles, inclusive, trabalhavam como instrutores para formação de outros pilotos. O acidente entre as aeronaves acendeu um alerta sobre o crescente número de ocorrências do tipo na região.
Após a colisão, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) iniciou uma discussão sobre a implantação de rotas de voo por instrumentos (IFR) para helicópteros no Rio de Janeiro. Atualmente, o tráfego na cidade ocorre em corredores pré-definidos, com a separação entre aeronaves feita de forma visual, sob responsabilidade dos próprios pilotos.

O produtor brasileiro foi cremado no dia seguinte ao acidente, no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio. O piloto Charles de Marsillac também foi cremado naquela mesma semana. A filha dele lamentou a partida do pai.
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