Preparação para o modelo ideal e o resultado: prótese tem conquistado homens de diferentes idadesfotos de Divulgação

Será que é dos carecas que elas gostam mais? A brincadeira já virou música, meme e até argumento para quem encara a falta de cabelo com bom humor. Mas, para muitos homens, recuperar os fios significa muito mais do que mudar o visual. A prótese capilar masculina tem conquistado espaço entre homens de diferentes idades e ajudado a resgatar a autoestima de quem decidiu voltar a se enxergar com cabelo.
Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, o profissional Bruno de Oliveira Soares, de 40 anos, acompanha de perto essa transformação. Usuário de prótese desde 2008, ele começou a trabalhar no segmento depois de perceber que era possível alcançar resultados muito mais naturais do que aqueles que conhecia no início da própria experiência.
“Eu sou usuário de prótese desde 2008. No início era muito preconceito, mas o resultado da prótese também não era muito bom”, conta Bruno.
A história profissional começou dentro de casa. Filho de cabeleireira, ele cresceu acompanhando a mãe trabalhar com cabelos. Em 2010, ela ajustou o corte da prótese usada pelo filho e conseguiu um resultado mais natural. O visual chamou atenção e despertou o interesse de outras pessoas.
A primeira prótese colocada pela família em um cliente foi em 2012. O negócio cresceu gradualmente até ganhar força em 2016, quando Bruno chegou a 132 próteses instaladas em um único ano. Em 2019, deixou o emprego em uma multinacional para se dedicar integralmente ao segmento.
A estratégia ajudou a popularizar uma proposta que hoje é a principal bandeira do trabalho: fazer com que a prótese pareça, de fato, cabelo.
“Consegui quebrar todo o tabu que existe no mercado de próteses capilares. Ainda existem pessoas que não conhecem a prótese e ainda existem resultados ruins, mas todas as pessoas que colocam próteses conosco proporcionam um pouco mais de crescimento, porque despertam o interesse de outras pessoas em usar próteses com essa pegada realista e natural”, afirma.
Do medo à autoestima
Antes de colocar uma prótese, as dúvidas são muitas. Será que vai cair? Vai coçar? Vai ter cheiro? Vai parecer uma peruca? Segundo Bruno, são justamente esses receios que costumam desaparecer quando o cliente vê o resultado no espelho.
“A princípio, a prótese capilar tinha um tabu muito grande. As pessoas desconfiam se vai cair, se vai dar mau cheiro, se vai coçar, se vai ficar artificial. O resultado natural que a gente entrega aqui transforma tudo isso em amor. A pessoa se olha no espelho e vê que realmente o seu visual está muito valorizado”, explica.
A técnica também acompanha diferentes estilos. O cliente pode escolher um visual que combine com sua idade, personalidade e rotina, incluindo cabelo, barba e bigode.
Modelos para diferentes necessidades
Bruno trabalha atualmente com três modelos masculinos e oito femininos. Entre as opções masculinas estão a Micropeli, a híbrida e a 4L Lace, modelo exclusivo produzido na China para o profissional.
Há opções de menor densidade para pessoas com pouco volume ou rarefação mais avançada, além de modelos mais resistentes, com maior volume e manutenção mais prática.
Os valores começam em R$ 2,5 mil, com possibilidade de parcelamento em até dez vezes no cartão, segundo o profissional. O estúdio atende clientes de diferentes perfis econômicos e recebe pessoas de diversas partes do Brasil.
A prótese também permite manter uma rotina considerada normal. “A prótese capilar proporciona uma vida normal: banho de praia, piscina, praticar exercício físico, lavar a cabeça com shampoo sem que ninguém perceba que usa prótese”, afirma Bruno.
Técnica que também atende crianças
O trabalho ganhou ainda um lado social. Em 2023, Bruno criou o Projeto Fios que Transformam, voltado principalmente para crianças e pessoas que perderam cabelos em razão de cicatrizes, traumas ou alopecia.
A iniciativa começou depois que Samuel, então com 14 anos, chegou ao estúdio com uma grande cicatriz no couro cabeludo provocada por um acidente com óleo quente.
“Depois de Samuel, hoje com 18 anos, já atendemos mais de 40 clientes, sendo mais 30 crianças com cicatrizes e traumas que carregariam para a vida inteira. A prótese capilar pode tirar essa dor de se olhar no espelho e não poder ver cabelo como todos os amigos têm”, relata.
Segundo Bruno, o projeto já se aproxima de 50 crianças atendidas gratuitamente.
Para ele, a atividade deixou de ser apenas um negócio ligado à beleza.
“Isso vai muito além de empreender. Isso é uma realização.”
Um novo olhar sobre a própria imagem
A proposta da prótese capilar vai além de esconder a ausência dos fios. Para muitos usuários, ela representa a possibilidade de escolher novamente como querem se apresentar ao mundo.
E Bruno deixa um convite para quem ainda está na dúvida:
“Todas as pessoas que têm falta de cabelo deveriam experimentar uma prótese capilar. Com certeza o resultado vai surpreender e deixar a pessoa muito satisfeita.”
A diferença, segundo ele, é que a prótese não precisa ser uma decisão definitiva. “Se a pessoa não gostar, simplesmente descola da cabeça e não usa. Diferente de uma cirurgia, que é irreversível.”
No fim das contas, talvez a velha pergunta sobre os carecas possa ganhar uma nova versão: não importa se é dos carecas que elas gostam mais. O que importa é cada homem se olhar no espelho e gostar do que vê.