Antes de ser solto, o animal passou por diversos exames realizados pela equipe do Instituto BW e foi vacinado Foto Divulgação
Ação conjunta em Pádua promove a soltura de macaco em extinção
Animal foi resgatado rondando em árvores de Pádua; devolução ao habitar aconteceu no Parque Estadual do Desengano
Pádua - Resgatado pelo Corpo de Bombeiros e Guarda Ambiental de Santo Antônio de Pádua (RJ). no dia 13 de maio, um bugio ruivo (espécie de macaco em extinção) - que rondava as árvores e residências no município – foi solto no final da semana no Parque Estadual do Desengano, na região norte do estado do Rio de Janeiro.
A ação coube ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea), por meio do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, em conjunto com o Instituto BW e a Guarda Ambiental do município, depois de o animal passar por todos os protocolos clínicos e laboratoriais necessários para avaliação do seu estado de saúde.
Foram realizados exames físicos, monitoramento comportamental e acompanhamento veterinário contínuo durante o período: “Após a conclusão das avaliações, ele foi vacinado contra febre amarela pelo Centro de Primatologia do Rio de Janeiro e teve sua reintegração ao ambiente natural autorizada”, explica o gestor do Parque Estadual do Desengano, Heron da Costa.
Segundo Costa, para possibilitar o monitoramento do animal após a soltura e acompanhar sua adaptação em vida livre, foi realizada a marcação individual por meio da retirada de pelos da cauda “O procedimento visa acompanhar o comportamento e integração do bugio ao ambiente, contribuindo para a avaliação do sucesso da reintrodução”.
O gestor assinala que para a soltura foi selecionado o Refúgio dos Bugios, que fica em área reconhecida pela ocorrência frequente da espécie e por suas condições favoráveis a sua conservação: “O monitoramento realizado após o surto de febre amarela (2016–2018) evidenciou uma redução drástica das populações de bugios em toda a região”.
PAPEL ECOLÓGICO - Costa ressalva que esforços contínuos de acompanhamento vêm indicando um processo consistente de recuperação populacional, ainda que em ritmo natural: “A soltura deste bugio é um momento extremamente importante também pelo papel ecológico fundamental que esses primatas desempenham nos ecossistemas florestais”, pontua a Vice-presidente e coordenadora de Veterinária do IBW, Paula Baldassin.
Um dos desempenhos do animal é na dispersão de sementes e manutenção da biodiversidade: “Cada retorno à natureza representa o resultado de um trabalho técnico criterioso, conduzido de forma integrada entre manejo, medicina veterinária e conservação da fauna silvestre” enfatiza Paula Baldassin, apontando que o bugio-ruivo é ameaçado de extinção.
Q espécie é protegida por lei, e atendida pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e das Preguiças-de-coleira (PAN-PPMA) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade: “Essa ação de soltura está alinhada e autorizada pelo Programa de Manejo Populacional da espécie”.

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