São Gonçalo: número é quase 60% maior do que o registrado no mesmo período do ano passadoDivulgação

São Gonçalo - Os acidentes envolvendo motos voltaram a lotar os leitos do Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), em São Gonçalo, no mês de fevereiro. O setor de Gestão de Qualidade registrou 410 atendimentos, vindo de diversos municípios do Estado, no setor de emergência e no centro de trauma. O número é quase 60% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foram atendidos 265 pacientes.
A maioria dos pacientes teve algum tipo de fratura grave, passou por cirurgia de emergência ou aguarda por um procedimento internado em um dos 249 leitos do HEAT ou em casa. A maioria, ainda, é paciente jovem, com idade entre 14 e 20 anos, do sexo masculino e com outros registros de acidentes com moto. Oito pacientes tiveram membros superiores ou inferiores amputados, enquanto outros não resistiram e evoluíram a óbito.
O alto índice de acidentes com moto, além de lotar as emergências e as enfermarias, também impacta diretamente no banco de sangue do hospital, quantidade de insumos e material e em procedimentos agendados, como cirurgias e até captação de órgãos, por exemplo.
"Temos que frear estes números. São acidentes que podem ser evitados. Diariamente homens, mulheres, jovens, idosos e crianças entram nas emergências com diversas contusões, lesões ou ferimentos em várias partes do corpo, que demandam cuidados especializados, além de exames de imagens e intervenções cirúrgicas. Muitos saem bem, outros com graves sequelas, mas alguns não sobrevivem", explica o médico Marcelo Pessoa, coordenador do Centro de Trauma do Hospital Alberto Torres.
Paralelamente, o ortopedista Carlos Neves, coordenador do serviço de ortopedia do HEAT, garante que os acidentes sobrecarregam a unidade e adiam cirurgias agendadas. “São traumas cada vez mais desafiadores. São politraumatizados e polifraturados em que há necessidade de implantes especiais de alto custo, medicações de alto custo, mais tempo de terapia intensiva e tempo estendido de internação hospitalar, ocupando leitos. Depois dessa assistência, a vítima ainda tem um longo percurso em reabilitação porque o paciente não sai apto para voltar às atividades sociais e laborativas. Ele continua gerando um alto custo para o Estado”, concluiu o médico.