Especialistas dão dicas para combater o estresse

Profissionais ensinam o que é necessário para enfrentar o 'Mal do Século': descanso, lazer e exercícios aeróbios

Por Luana Dandara *

Aliar lazer com exercício físico é uma oportunidade para enfrentar o estresse
Aliar lazer com exercício físico é uma oportunidade para enfrentar o estresse -

Rio - Considerado por psicólogos e psiquiatras como o 'Mal do Século' e com interferência direta na depressão e ansiedade, o estresse está presente na vida diária dos animais racionais e irracionais. O avanço da tecnologia e a rotina cada vez mais rápida e exigente do homem, no entanto, intensificaram o mecanismo.

O termo foi tomado da física, onde designa a tensão e o desgaste a que estão expostos os materiais. No corpo humano, a reação funciona de forma similar: é uma resposta orgânica a perigos externos que libera adrenalina e outros hormônios.

Segundo o psiquiatra Sebastião Arli, da Clínica Penchel, o estresse se torna preocupante quando compromete a performance profissional e o relacionamento dentro e fora de casa. "É natural o estresse vir e passar, mas o crônico acontece dia após dia, e causa prejuízos à saúde mental e física do indivíduo", explica.

A psicóloga Renata Bento teve um aumento de pacientes com o problema nos últimos anos e acredita que a tendência é aumentar. "O estresse acontece quando há uma demanda externa grande. A crise econômica, por exemplo, interfere nos casos. O mecanismo aciona uma gama de sentimentos que mobilizam o sujeito a estar mais atento", adverte.

O estresse se manifesta, primeiramente, na parte psíquica e pode ser identificado por mudanças bruscas de humor, ansiedade, e sentimentos como medo e angústia. Nos casos crônicos, os sintomas vão de dor de cabeça, insônia, tensão muscular, até perda ou aumento do apetite, queda de cabelo, aumento da pressão arterial, infecções de via aérea e gastrite nervosa, entre outros.

"O paciente geralmente demora a perceber que os problemas no corpo são motivados pelo estresse. Ele acredita que a causa seja externa, até realmente avaliar o que mudou na vida dele. Então, se conhecer é muito importante", enfatiza o psiquiatra Arli.

A especialista Renata Bento acredita que o estresse ainda tem sua parte positiva. "Ter essas sensações é um convite a pensar, elas mostram que algo não está bem, que há uma demanda excessiva do sujeito. 'Por qual caminho estou seguindo? E qual o melhor caminho, o que devo mudar?'", avalia.

A psicóloga indica para os pacientes tensos e estressados ter uma atitude mais reflexiva. "A pessoa precisa entender o seu funcionamento, se reparar e mudar as estratégias para lidar com os problemas. Trocar a vitimização pelo otimismo, buscar aprender com as adversidades é uma ótima forma de começar", afirma.

A procura de um profissional, ao não conseguir controlar os níveis de estresse sozinho, também é imprescindível. "O especialista poderá indicar o tratamento, que pode ser medicamentoso. Mas precisa haver mudança no estilo de vida, separar o tempo para cada atividade. Quando o período das obrigações invade o de descanso e lazer, a chance do estresse crônico aparecer é maior", pondera Arli.

O psiquiatra indica a reserva de uma hora diária para um hobby, além de um dia, no fim do semana, para a higiene mental; não abusar de carboidratos e álcool; fazer, pelo menos, 45 minutos de caminhada todos os dias ou outra atividade física; e buscar atividades que possam aliviar a tensão, como meditação, yoga e acupuntura. Já o professor de Educação Física e personal trainer João Paulo Silva, da Academia Evidence Tijuca, recomenda exercícios aeróbios. "O segredo é a temperança. Sentir-se útil é importante, porém há outras áreas da vida que não podem ser esquecidos", diz Arli.

(* Estagiária sob a supervisão do jornalista Luiz Almeida)

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