Coronavírus: Gravidez e os riscos de transmissão para o bebê

Número reduzido de neonatos testou positivo, o que levou pesquisadores a examinarem se a transmissão vertical ocorre e, caso aconteça, se ela se desenvolve no útero antes do parto

Por O Dia

Estudos apontam que em casos raros a transmissão transplacentária do coronavírus acontece.
Estudos apontam que em casos raros a transmissão transplacentária do coronavírus acontece. -
Rio - Diversos estudos têm sido feitos desde o início da pandemia para demonstrar a transmissão de covid-19 de mulheres grávidas contaminadas para seus bebês. A maioria destes relatórios aponta que grande parte dos recém-nascidos não está infectada pelo novo coronavírus. No entanto, um número reduzido de neonatos testou positivo, o que levou pesquisadores a examinarem se a transmissão vertical ocorre e, caso aconteça, se ela se desenvolve no útero antes do parto.
A análise da placenta, maior dos órgãos fetais, tem sido importante para compreender os mecanismos de transmissão de outros vírus em mulheres grávidas para o feto, a exemplo do HIVE, Ebola e Zika. Em especial no caso da covid-19, estudos apontam que em casos raros a transmissão transplacentária do coronavírus acontece.
"A importância deste estudo reside no fato de que um número crescente de mulheres grávidas com covid-19 está sendo relatado no mundo inteiro. Porém, a maioria dos bebês que nascem destas mulheres infectadas não são positivos para coronavírus. É importante determinarmos se existe realmente ou não a transmissão vertical e como isso pode acontecer. Existem várias maneiras de um vírus ser transmitido para um bebê durante a gravidez, de mãe para filho, verticalmente, por três mecanismos diferentes", explica Maria Cecília Erthal, ginecologista especializada em reprodução humana assistida, à frente do Vida – Centro de Fertilidade.
A especialista conta que a maioria dos nascidos de mulheres com a doença não estavam infectados. "A grande maioria destes bebês, que nasceram de mulheres grávidas infectadas com o coronavírus, não estavam infectados. Porém, os que apresentam testes ou sintomas, nas primeiras 24h-72h de vida, existe a suspeita de que esse bebê tenha sido contaminado durante a gestação ou durante o parto. É muito difícil se ter certeza se houve ou não a passagem do vírus pela placenta", ressalta a especialista. 
Questionada sobre a transmissão vertical do vírus, Erthal conta que pode acontecer durante três fases: "Durante a gravidez (vida intrauterina) - acontece por dois mecanismos principais: pelo sangue que irriga a placenta – que vem da mãe e passa para o bebê – ou por via ascendente – por meio de bactérias, de germes da via vaginal, que podem ascender e atingir a cavidade amniótica e o bebê; No momento do parto - quando o bebê passa pelo canal do parto, que está infectado pelo vírus; ou no pós-parto - através da mãe infectada, com as suas secreções respiratórias, através do contato com a pele dela, e pelo leite materno"
Maria Cecília Erthal ainda conta sobre o que fazer em casos de transmissão vertical. "É necessário orientar o manejo destas mães grávidas com covid-19 no final da gestação: Os cuidados com o parto, o tipo de parto, será que vai ser necessário uma cesariana? Os cuidados com o recém-nascido, se precisa ir para um isolamento, se precisa ir para uma UTI de cuidados intensivos. Tudo isso com a intenção de minimizar os riscos de infecção neonatal", finalizou.

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