Chocolate: vilão e mocinho

Na contramão do senso comum, nutricionistas dizem que o consumo da guloseima, tão amada pelo brasileiro, pode fazer bem à saúde, dependendo do tipo escolhido e da dosagem por dia

Por *Luana Dandara

Chocolate é amado pelos brasileiros
Chocolate é amado pelos brasileiros -

Rio - A poucos dias da Páscoa, o peso na consciência devido à gula por ovos, caixas e barras de chocolate já bate à porta. Mas, de acordo com nutricionistas, essa guloseima não precisa assumir o papel de vilão na festividade do próximo fim de semana. Em alguns casos, pode até ganhar um papel de mocinho na dieta do brasileiro, você sabia? Uma de suas propriedades é o de ser um protetor cardiovascular. Portanto, basta escolher o produto certo na prateleira e não exagerar na dose. Ou seja: aproveite com moderação.

Para não ficar dividido entre a culpa e o prazer, é bom ter em mente algumas dicas preciosas dos médicos. Consumir chocolate rico em cacau, por exemplo, pode ser muito mais do que ceder a uma incontrolável tentação. Em algumas situações, a sua saúde também agradece. Receitas com teor maior do que 70% desse fruto tão amado pelos brasileiros proporcionam ação anti-inflamatória e estimulante, além de melhorar o bom colesterol (HDL), a pressão arterial e trazer uma sensação de bem-estar. "Quanto mais amargo o chocolate, mais cacau ele possui, e, em decorrência disso, somos beneficiados com seus componentes", explica a nutricionista Maria Clara Pinheiro.

"A flavonoides, presente nas sementes do cacau, ajuda a combater os radicais livres e age como protetor cardiovascular", explica também a nutricionista Nathália Gazzarra. Ela acrescenta que quantidades mais significativas dessas substâncias só são encontradas em chocolates que possuem de 60% a 70% de cacau na composição. Já os produtos que são ao leite apresentam quantidades muito pequenas, e o chocolate branco não apresenta antioxidantes. "O segredo está na escolha de comprar o doce certo e consumi-lo com moderação".

As versões ao leite e branca possuem grande quantidade de leite, gordura e açúcar, o que pode causar dependência. A gordura, por sua vez, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, colesterol elevado, problemas de pele e obesidade. Portanto, toda precaução é pouca! Essas contraindicações não vêm estampadas na embalagem.

E, segundo pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), o chocolate ao leite é o preferido pela maioria dos brasileiros (42%) e, em segundo lugar, vem o meio amargo (31%). Já o chocolate branco possui 18% da preferência.

Especialistas recomendam o consumo do chocolate após as refeições e em doses, no máximo, de 20g diariamente. "Em períodos festivos, principalmente na Páscoa, o consumo de chocolate aumenta muito. Isso não é um problema se a pessoa procurar manter o mínimo de moderação", afirma Maria Clara. A nutricionista também aconselha a fracionar o consumo e evitar versões acrescidas com biscoitos, amendoins e outros aditivos. "Só agregam calorias, açúcares e gorduras ao chocolate", diz.

O excesso de chocolate pode trazer complicações a curto e a longo prazo. Alguns problemas causados pelo consumo excessivo de chocolate são agitação, insônia, azia e diarreia. Já os efeitos colaterais tardios são mais severos: ganho de peso mais rápido e favorecimento da formação de cálculos renais. Exceder à quantidade diária de 20g elimina as propriedades positivas do doce e provoca acúmulo de gordura do corpo.

* Estagiária sob supervisão de Luiz Almeida

 

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