Artrite reumatoide: enfermidade quase invisível

Doença inflamatória que atinge 15 milhões de brasileiros afeta articulações e pode comprometer movimentos

Por RENAN SCHUINDT

Rio - Após três meses longe dos palcos, o músico Bira Presidente, do grupo Fundo de Quintal, está de volta. O pandeirista precisou se afastar das atividades depois de ter uma das mãos acometida por uma artrite reumatoide (AR) — doença inflamatória crônica que afeta as articulações e, em alguns casos, outras partes do corpo. A AR é autoimune, ou seja, é uma condição em que o sistema imunológico, responsável por defender o corpo de vírus e bactérias, passa a atacar o próprio organismo. Aos 82 anos, o criador de um dos blocos carnavalescos mais importantes do país, o Cacique de Ramos, está entre os 15 milhões de brasileiros que sofrem com alguma doença reumática.

O retorno de Presidente aconteceu no último mês, no Allianz Parque, em São Paulo. Acompanhado por seus amigos, e claro, o tradicional pandeiro 12 polegadas, Bira subiu ao palco para um show que era bastante esperado, principalmente por ele. "Estou muito feliz em poder voltar. Os fãs estavam preocupados, sempre perguntando por mim. Quero dizer que eles podem ficar tranquilos. Esse período foi importante para minha recuperação. Segui à risca o que o médico me indicou", lembra entusiasmado.

Apesar de estar fora da faixa etária mais suscetível ao problema, que vai de 30 aos 40 anos, o artista pode ter sido vítima do que os especialistas chamam de movimento contínuo, como explica o professor titular de reumatologia da Unicamp, Manoel Bértolo. "É quando ocorre uma série de repetições dos movimentos e o hábito se torna prejudicial. Neste caso, o manuseio do instrumento pode ser um indicador", informa. Segundo o especialista, é importante que o paciente evite o trauma do local afetado para não piorar o quadro. "A artrite reumatoide é comum na região das mãos e se agrava pelo trauma. Por isso, é fundamental o repouso da área atingida, além do uso de corticoides e o acompanhamento médico", ensina. Seguindo as orientações médicas, a volta do músico às atividades artísticas acontece de maneira gradativa. "É um processo que exige cuidados e paciência para não levar à paralisação das atividades de vez", conclui Bértolo.

Dados do Ministério da Saúde apontam que a artrite reumática acomete as mulheres duas vezes mais do que os homens e, apesar de se iniciar a partir dos 30, também pode afetar crianças e jovens. Foi o caso da advogada Anelise Roque, que aos 22 anos teve o primeiro diagnóstico. "Sentia muitas dores no quadril até que resolvi buscar ajuda médica. Mesmo fazendo tratamento alternativo por meio da acupuntura, ainda recebi outros três diagnósticos. Além de um novo problema no quadril, tive reumatismo no cotovelo e no joelho", diz.

A artrite reumática é caracterizada por dores, geralmente acompanhadas de calor, vermelhidão, inchaço e dificuldade de se movimentar. Vale salientar que alguns fatores de risco contribuem para as doenças reumáticas, como tabagismo, idade avançada, obesidade e consumo de bebidas alcoólicas em excesso. "O que se recomenda é que o paciente mantenha hábitos saudáveis, que pratique atividades físicas sem exageros e, principalmente, evite o fumo, principal fator de risco, inclusive para outros órgãos", alerta Bértolo.

Atletas também sofrem

Este ano, o jogador de futebol americano Todd Gurley também foi diagnosticado com artrite reumatóide. Eleito o melhor jogador ofensivo da NFL, em 2017, o atleta de 24 anos está sendo poupado de treinos pesados ou que exijam um esforço maior dos joelhos. Para ajudar no tratamento o running back passa por um programa intensivo, que envolve acompanhamento médico diário. Recentemente, Gurley afirmou que estava se recuperando bem.

No final de 2018, a tenista dinamarquesa Caroline Wozniacki, foi outra vítima da artrite reumatoide. Na época, a ex-número um do mundo disse que recebeu a notícia como um choque. A atleta creditou sua eliminação do WTA Finals devido ao problema de saúde. 

 

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