Fumar pode agravar quadro de Covid-19, alertam organizações

Dia Mundial Sem Tabaco reforça a necessidade de abandonar o vício. Psicóloga dá passo a passo para deixar o cigarro

Por Rachel Siston*

No Dia Mundial Sem Tabaco, organizações de saúde alertam para o fumo como fator de risco para contrair e agravar infecções respiratórias como a Covid-19. No início do mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já havia apontado que os fumantes têm mais chances de desenvolver as formas mais graves do novo coronavírus, se comparados com os não-fumantes.

De acordo com a chefe de secretariado da Convenção-Quadro da OMS para Controle do Tabaco, a doutora Adriana Blanco Marquizo, os casos são maiores entre pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e fumar aumenta o risco de desenvolvê-las. O Instituto Nacional de Câncer (Inca), aponta que o risco de agravamento em pacientes com histórico de tabagismo é 14 vezes maior.

"Todas as formas de consumo de tabaco aumentam o risco de desenvolver a Covid-19, inclusive a forma mais crítica que pode levar a um desfecho fatal. É preciso conscientizar os fumantes de que eles fazem sim parte do grupo de risco", alerta o presidente da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB), Alberto Araújo.

Apesar da redução de 40% no número de fumantes na última década, o problema ainda preocupa as autoridades de saúde, porque o tabagismo mata mais de 8 milhões de pessoas no mundo, todos os anos, sendo 7 milhões fumantes diretos e 1,2 milhão passivos, segundo a OMS. No Brasil, a estimativa é que 438 pessoas morram por dia em decorrência do consumo do tabaco.

Um estudo feito pelo Centro de Pesquisa e Educação para Controle do Tabaco da Universidade da Califórnia afirmou que o tabagismo e o uso de cigarros eletrônicos aumentam 2,25 vezes as chances de complicações em uma infecção pelo novo coronavírus. A Sociedade Brasileira de Cardiologia chama atenção ao fato de que o cigarro eletrônico pode ser mais grave que o cigarro convencional, por ser mais inflamatório. A AMB também alerta sobre o risco do compartilhamento de cigarros.

“Devemos ressaltar que os fumantes de tabaco aquecido apresentam os mesmos riscos de complicações que os usuários do cigarro tradicional. É muito comum os fumantes compartilharem os mesmos dispositivos e isso é muito perigoso. O usuário exala gotículas de vapor e pode propagar a Covid-19.”
*Estagiária sob supervisão de Gustavo Ribeiro

Nicotina como tratamento para a Covid-19

Uma pesquisa do instituto francês Pasteur e Hôpitaux de Paris observou um potencial efeito protetor da nicotina para a infecção pelo novo coronavírus. O estudo não indica o fumo como forma de tratamento ou prevenção, mas sugere a realização de estudo terapêutico com o uso de adesivos de nicotina ou mastigação em pacientes hospitalizados e como método preventivo para a população.

O ensaio ainda não foi feito, por isso, ainda não é possível comprovar a efetividade da ação. Os pesquisadores ainda reforçaram que a substância é a droga responsável pelo vício em fumar e que o tabagismo tem graves consequências patológicas, trazendo risco à saúde.

No seminário virtual “Tabagismo e risco potencial para a Covid-19", realizado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), com apoio do Inca e do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), a estratégia foi criticada. Segundo os participantes da reunião, os dados para o artigo foram conseguidos de maneira “bastante questionável” e não houve declaração de conflito de interesses. Também foi descoberto que um dos autores trabalha para a indústria do tabaco.

“Parece ser mais uma narrativa da indústria do tabaco para diminuir o possível efeito da pandemia no lucro deles. É uma deturpação”, disse o epidemiologista Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Frederico Fernandes.

“É importante que isso não vire porta de entrada para que depois mais jovens se tornem vítimas (do tabaco)”, completou a doutora em Saúde Pública da Universidade da Califórnia, Stella Aguinaga. 

Passo a passo para deixar de fumar

A psicóloga Miriam Pontes de Fariais, especialista em hipnose, elaborou dez passos para deixar o vício no cigarro e seguir uma vida mais saudável. 
1 – Substituir o cigarro por água todas as vezes que sentir vontade de fumar. Crie o hábito de beber água, mantenha sempre um copo d’agua ao seu lado ou uma garrafinha, pra onde for leve com você essa garrafa d’agua.

2 – Procrastinar o cigarro. Procrastinamos coisas saudáveis na nossa vida, como fazer atividade física, ir ao médico, fazer dieta, então, a partir de hoje vamos procrastinar o cigarro. Deixar o cigarro sempre pra depois, “depois eu fumo, agora não.”

3 – Ter sempre chiclete sem açúcar por perto. Quando sentir vontade de fumar, mascar chiclete, é o prazer oral que precisa ser saciado.

4 – Associar o cigarro a uma experiência ruim. Procure lembrar o pior momento de sua vida, que causou dor e sofrimento para você, todas as vezes que sentir vontade de fumar, lembre com detalhes e traga as emoções desta dessa experiência negativa.

5 – Evitar os gatilhos que te levam a fumar, como beber, há pessoas que fumam mais quando bebem, outras que só fumam quando bebem. Evitar tomar café, muitas vezes o café está associado ao cigarro.

6 – No período inicial que você decidiu parar de fumar, procure frequentar lugares que tenham restrição ao cigarro. Quanto mais tempo você conseguir ficar sem fumar, é um sinal que você é capaz de viver sem ele.

7 – Muitas vezes o cigarro está associado aos sentimentos de solidão, medos, ansiedade, tristeza, perdas e outros. Procure ajuda com um psicólogo que faça hipnose, para tratar estas e outras emoções que estejam associadas ao hábito de fumar. A hipnose é uma técnica muito eficaz no tratamento do tabagismo.

8 – Criar dificuldades para ter o cigarro perto de você. Nunca comprar um maço de cigarro, quando sentir vontade de fumar, você vai ter que se deslocar para ir comprar e quando chegar lá, só vai comprar um cigarro de cada vez, somente um.

9 – Pratica de auto-hipnose: sentado em uma posição confortável, comece a fazer a respiração abdominal, em seguida abra bem os seus olhos e olhe para o alto da sua cabeça, como se você quisesse verificar o que se passa dentro do seu cérebro, olhando para o alto. Quando sentir as pálpebras pesadas e cansadas pode fechar os olhos, com os olhos fechados, respire profundamente e mentalize que você está em um lugar da natureza, um lugar arborizado, o céu está lindo! De repente você acende um cigarro e joga a fumaça para o alto, imediatamente o céu fica cinza, todo escuro, da cor da fumaça do cigarro. Em seguida, você olha para as árvores com as folhas caídas, você automaticamente percebe que acabou de poluir a natureza, danificar e prejudicar o meio ambiente.

10 – Necessitamos de limites, os limites são importantes nas relações e sobretudo, na nossa vida, precisamos dar limites aos cigarros, dizer não para os cigarros, da mesma forma que a gente aprende a dizer não para o outro. Dizer não é uma forma de se colocar, se posicionar e de respeito. Em relação aos cigarros precisamos respeitar a nossa condição física, a nossa saúde, o nosso bem estar.

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