Por thiago.antunes

Rio - Uma boa notícia veio do Pantanal: as araras-azuis estão conseguindo alçar seus voos pela sobrevivência. Na temporada de reprodução da espécie de 2014, o Projeto Arara Azul verificou, de agosto a novembro, aumento de ninhos cadastrados de 455 para 599. Em 94 deles foram postos 55 ovos e 30 filhotes nasceram. Até o fim do ano, podem vir ao mundo mais 20.

Bióloga verifica um dos ninhos naturais da ave pantaneira monitorados pelo Instituto Arara Azul Thiago Henrique

A bióloga responsável pelo projeto e presidente do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, explica que o período reprodutivo costuma acontecer entre julho e janeiro. Este ano, devido a condições climáticas do Pantanal, houve atraso de seis semanas. Por isso, a temporada deverá se estender até fevereiro ou março. “Existe a perspectiva de observarmos posturas até o mês de dezembro. Só após esse período, poderemos avaliar os resultados em relação aos anos anteriores. Mas estamos bastante confiantes e animados”, afirma.

Os resultados são fruto de 25 anos de trabalho em estudos de biologia básica, reprodução, comportamento, habitat, manejo e educação ambiental para a conservação da espécie. No fim da década de 80, estas araras estavam ameaçadas de extinção, com apenas 1,5 mil indivíduos no Pantanal. Hoje, especialistas estimam mais de 5 mil na área, que inclui os estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bolívia.

O projeto monitora aproximadamente 3 mil aves, em ninhos cadastrados por 57 fazendas, situadas em Miranda, Aquidauana e Bonito (MS) e na região de Barão de Melgaço (MT). Boa parte dos ninhos está em regiões de difícil acesso, por isso a importância de picapes com tração 4X4, cedidas pela Fundação Toyota do Brasil, que apóia o Projeto Arara Azul.

Os veículos permitem às equipes de biólogos transportarem suprimentos e todos os equipamentos necessários à realização dos trabalhos de campo. O Projeto Arara Azul também tem o apoio da Uniderp, Caiman e Bradesco Capitalização.

O Instituto Arara Azul também lançou recentemente a campanha ‘Adote um Ninho’, para arrecadar recursos e fortalecer o projeto. Já foram adotados 45 ninhos por pessoas físicas e jurídicas. Entre os padrinhos famosos estão Ziraldo, Carlos Saldanha, Chitãozinho e Xororó, Luan Santana, Michel Teló, Gabriel Sater, Almir Sater e outros artistas e empresários brasileiros e norte-americanos.

Os padrinhos passam por um curso, em que aprendem sobre o monitoramento dos ninhos naturais e artificiais e sobre o relatório periódico do comportamento e desenvolvimento dos afilhados. Além disso, ao nascer um filhote de arara-azul no ninho, o padrinho poderá batizá-lo. O animal é acompanhado até o momento de seu voo e recebe microchip e anilha com numeração exclusiva. As informações serão encaminhadas ao padrinho, por meio de relatório.

Hoje já há cerca de 5 mil araras-azuis na região%2C contra 1%2C5 mil há 25 anosLuciano Candisani

Fiéis ao parceiro

A arara-azul é monogâmica. Ou seja, forma um casal constante até a morte de um dos indivíduos. A espécie não apresenta diferença física aparente entre os sexos. Só é possível verificar se o animal é macho ou fêmea a partir da análise de uma amostra de sangue ou laparoscopia.

Árvores inimigas

No Pantanal, as araras-azuis dependem basicamente de três espécies de árvores. Elas se alimentam da castanha de duas palmeiras, o Acuri e a Bocaiúva. E 95% dos ninhos são encontrados numa única espécie, o Manduvi.

Pronto para voar

Após o nascimento, o filhote permanece sob os cuidados dos pais por mais de 100 dias, até que esteja pronto para voar. A arara-azul tem baixa taxa reprodutiva. Nasce um filhote a cada dois anos.

Ameaças

As principais ameaças da espécie verificadas na década de 1990 foram destruição do habitat, tráfico e caça para uso em artesanatos e adornos indígenas.


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