Na entrevista a seguir, a primeira após o anúncio da saída de Sol, Xand sabe do desafio que tem pela frente. O comportamento mais reservado e discreto vai dar lugar a um artista que desperta o interesse de seu público, não só através da música. É esse Xand, conciliador e sem papas na língua, que vamos mostrar agora, com exclusividade, para você.
Você vai seguir carreira solo em 2017. O que esperar desse novo ano?
Modestamente falando, vai ser o meu ano! Não pedi de forma alguma para que a Sol saísse e ela sabe disso, mas fiquei sabendo do desejo dela de se dedicar à carreira solo e me preparei para seguir com o Aviões. Eu palpitei nas escolhas de músicas de repertório, cuidei de capa do CD... Eu acho que acabar com uma coisa tão grande é um crime. Me preparei não só visualmente, como fisicamente e mentalmente e de relacionamento também, porque 14 anos ao lado de uma pessoa é uma vida. Eu sou padrinho da filha da Sol! É como se eu tivesse chegado hoje no Aviões.
Ela não falou. Eu senti, liguei para ela e falei: “Sol, você vai sair da banda, não vai?”. E ela começou a falar: “Xand, depois a gente conversa”. Eu senti a Sol um pouco triste, calada... Sei que seguir carreira solo é o sonho da Sol, mas sei que ela também está triste com isso, porque ela gosta muito de estar aqui com a gente.
Que pergunta difícil! Musicalmente falando, eu acho que a Sol é uma cantora supertalentosa, fora do comum.
Não!
Eu acho que ela foi pegando gosto pela carreira solo porque foi começando a cantar o que gosta, do jeito que ela gosta... Ela foi gostando e sentiu essa vontade.
Não sei se a palavra certa é confortável, porque hoje a concorrência está tão grande... Eu sei dominar o palco porque já fui músico e sei como me portar, mas eu não me sinto confortável. Mas digamos que estou preparado.
A Sol é conhecida pelo jeito explosivo. Ela fala logo na cara. Você acha que o clima no Aviões vai melhorar com a saída dela?
Não, porque o clima do Aviões não era ruim. Eu sou diferente: quero falar as coisas e não consigo. Eu invejo isso na Sol, porque ela fala na cara.
Você acha o jeito explosivo dela bom ou ruim?
Acho que depende da ocasião. Eu não teria coragem de fazer o que ela faz.
Você já deu algumas chamadas nela?
Várias vezes! No palco e tudo, inclusive.
Não. Não há nenhuma possibilidade. Primeiro, pelo respeito que a gente tem por ela e também porque eu não me vejo com outra mulher do meu lado.
Sim. No Aviões, sim.
Com certeza total.
Não, nunca comparei. Até porque o Chimbinha não cantava. Mas, para mim, a ficha do Calypso era a Joelma.
Hoje em dia, o balé funciona melhor para um artista solo. Achei por bem tirar o balé para eu e a Sol podermos melhorar a estrutura da banda no palco.
Emagreci 22 quilos.
Um gato.
Concordo.
Minha rotina é uma coisa muito tranquila. Quando não estou viajando, eu fico com a minha família. Quando volto para Fortaleza eu busco meu filho na escola, vou jogar futebol com ele... Tenho uma vida normal, jogo videogame...
Eu tenho quatro filhos: um com 16 anos que é do do primeiro casamento. Tenho mais dois do segundo e um do casamento com a Isabele (Temóteo).
A gente não vai mudar o estilo em nada. Realmente aconteceu o que você falou com a Simone e Simara... Eu não tenho nada contra o sertanejo, mas somos uma banda de forró e somos pioneiros no Brasil. A gente não quer esse negócio de sofrência. O negócio do Aviões é alegria.
Não sei se é um erro. Eu vi as músicas dela e achei que estão muito boas. Também, o forte dela deve ser o forró, eu não sei ainda, nós vamos descobrir juntos.
A gente começou a ser alvo de uma investigação, mas não foi nada provado ainda. A Justiça está em recesso, e o processo ainda está em andamento. Mas eu nunca fui de ostentar.
As pessoas vão ver um Xand diferente no palco. Não só fisicamente, mas como cantor, como artista. Esse ano vai ser meu. Quem está falando sou eu.
Sou.
Lógico que não (risos).