
Injustamente mais conhecido como o menor do Brasil, o Estado de Sergipe se orgulha de seu grande passado e da gigantesca cultura popular. Desde o fim do século 19, a Festa dos Lambe-Sujos e Caboclinhos, uma das manifestações mais tradicionais da nação, acontece anualmente no Município de Laranjeiras, a 30 km de Aracaju, na segunda semana de outubro. Trabalhadores e estudantes se transformam em reis e rainhas e protagonizam momentos de êxtase na representação de uma luta, mas o tom é de festa. O repórter-fotográfico Severino Silva acompanhou a edição deste ano e conta para nós o que viu.
A guerra entre os Lambe-Sujos e Caboclinhos é uma representação das investidas que indígenas faziam contra os quilombos a mando dos engenhos. O objetivo era derrotar e aprisionar os negros escravos fugidos, já que os índios conheciam melhor a região e eram recompensados com os bens materiais que pudessem saquear dos negros.
No calor da festa, desavisados podem levar uma chicotada: personagens encarnam com vontade o papel de capitão do mato e castigam 'escravos' e espectadores 'na linha de tiro'. A performance representa a luta do escravo pela conquista da sua liberdade. "Muita gente apanha e se diverte. Isso tudo para não morrer a tradição", lembra Severino.
A cidade é tomada pelo inebriante aroma do mel de cabaú, que, mesclado com tinta preta à base de cana, cobre o corpo dos lambe-sujos, deixando apenas o expressivo olhar e o branco dos dentes. Como adereços, gorros vermelhos e shorts surrados. Nas mãos, as foices dos canaviais; chupetas e cachimbos completam a caracterização.
A festa cresceu e hoje é expressão do sincretismo. "O bloco termina na Igreja, mas antes passam em frente a uma casa de mãe de santo. O fim do bloco termina com o padre, o índio e o caboclinho, sem preconceito e respeitando um a fé do outro", conclui Severino.












