Alemanha na pior crise desde a Segunda Guerra

Angela Merkel não consegue segurar coalizão e corre o risco de perder o mandato

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Dados pessoais de centenas de políticos alemães, incluindo os da chanceler Angela Merkel, foram publicados online
Dados pessoais de centenas de políticos alemães, incluindo os da chanceler Angela Merkel, foram publicados online -

Angela Merkel começou ontem a juntar os cacos depois de não conseguir formar um governo, um terremoto político que pode levar à realização de novas eleições legislativas e ao fim de seu mandato de chanceler. No fim de semana, o Partido Democrático Liberal (FDP, na sigla em alemão), desistiu de integrar a coalizão que daria maioria no Parlamento e, consequentemente, a chancelaria a Merkel. Ela já descartou tocar a Alemanha com 'governo de minoria'.

O presidente alemão quase uma figura decorativa no Executivo , Frank-Walter Steinmeier, pediu que a classe política retome as negociações para formar governo. "Espero que todos os partidos se mostrem abertos ao diálogo e que seja possível, em um prazo razoável, a formação de um governo", declarou na televisão, referindo-se a "uma crise sem precedentes em 70 anos".

De fato, desde a fundação da República Federal da Alemanha, em 1949, este cenário jamais aconteceu: o país não tem maioria para ser governado. De madrugada, depois de um mês de negociações, os conservadores de Merkel (CDU-CSU), os liberais (FDP) e os ambientalistas não conseguiram fechar a coalizão.

País parado

Na ausência de uma alternativa, a maior potência econômica europeia se prepara para semanas ou meses de paralisia, tanto a nível nacional quanto europeu. Se não houver acordo, o presidente terá que iniciar o processo que conduzirá a eleições antecipadas em 2018. Merkel lamentou o fracasso das negociações e prometeu que fará "tudo o que foi possível" para que a Alemanha "esteja bem dirigida nas difíceis próximas semanas".

No poder desde 2005, Merkel venceu as eleições legislativas de setembro, mas com o pior resultado desde 1949 para o seu partido conservador, que perdeu votos em benefício do partido de extrema direita AfD, impulsionado pelo descontentamento com a chegada de mais de um milhão de imigrantes em 2015-2016.

O terremoto político é tal, em um país acostumado com compromissos políticos, que a revista 'Der Spiegel' escreveu que a Alemanha enfrenta seu "momento Brexit, seu momento Trump". São muitos os comentaristas e cientistas políticos que preveem o fim da chanceler. "É seu fracasso. Mostra que o método de Merkel pragmatismo sem limites e uma flexibilidade ideológica máxima chegou ao fim", aponta o 'Spiegel'.

Muitas dúvidas

No caso de eleições antecipadas, não há garantias de que o novo resultado seja diferente do anterior. O crescimento do AfD e sua entrada na Câmara levou à fragmentação da paisagem política. O partido repete o discurso anti-imigrantes, anti-islã e anti-Merkel.

Não por acaso, foram a questão migratória e as consequências da generosa política de recepção de requerentes de asilo de Merkel que fizeram fracassar as negociações.

As partes não chegaram a um acordo sobre um limite do número de requerentes de asilo, nem sobre a questão de saber se todos ou apenas alguns dos refugiados deveriam ter direito ao reagrupamento familiar na Alemanha. Os conservadores e os liberais querem conter absolutamente as chegadas, enquanto os Verdes desejam uma política mais generosa. Daí o nó.

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