Autor pede igualdade em livro

Fábio Kabral lança sua primeira obra no sábado, explica sua inspiração para a história, fala do preconceito racial que vive no dia a dia e comenta a prisão do ator Vinícius Romão

Por O Dia

Fábio Kabral%2C autor do livro ‘Ritos de Passagem’Divulgação

Rio - Lançando seu primeiro livro, ‘Ritos de Passagem’ (ed. Giostri, 220 págs., R$ 42), sábado, no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, Fábio Kabral só tem um desejo. “Quero mostrar aos negros que eles também podem ser os protagonistas da história”, diz o autor. 

A obra, que fala do preconceito racial vivido por quatro jovens que estão fazendo a transição para a vida adulta, serviu como uma válvula de escape para o autor realizar um sonho antigo. “Sempre fui um apaixonado por histórias fantásticas. Mas também nutria uma admiração por Clarice Lispector e Machado de Assis. No livro, eu juntei tudo e criei uma obra que vai ser toda inspirada na cultura Africana”, explica Kabral.

Além de ser ambientado em Angola, ‘Ritos de Passagem’ tem outro detalhe curioso: todos os personagens são negros. “Não é uma retaliação. Eu sempre senti falta de ver personagens negros sendo os protagonistas das histórias que eu lia e dos filmes que eu assistia. Na maioria das vezes, eles eram marginalizados, isso me incomodava bastante.”

Formado em Artes Cênicas, Fábio usou muito de suas experiências para retratar os dramas vividos pelos personagens do livro. “Quando criança, estudava em colégio particular. Eu era o único negro da escola e isso já era motivo para ouvir piadinhas. Depois que cresci, pouca coisa mudou. Acho que o exemplo mais clássico é quando eu entro em lojas ou supermercados e o segurança logo gruda em mim”, conta.

Lutando contra o preconceito, Fábio lembra o caso do ator Vinícius Romão, preso injustamente no Rio, no dia 26 de fevereiro. “A verdade é que já está internalizado no imaginário das pessoas que o bandido tem que ser preto. Para mim, a melhor resposta a esse tipo de preconceito é ser bem-sucedido. Trabalhar, estudar e mostrar que a gente também pode chegar lá. E eu espero que outros autores se inspirem, e criem mais histórias onde o negro se sinta representado.”

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