Juiz da final de 86, Romualdo Arppi Filho elogia escolha de italiano

Brasileiro apitou decisão que consagrou Maradona no México

Por O Dia

Rio - O italiano Nicola Rizzoli será o árbitro da final da Copa do Mundo, entre Alemanha e Argentina, amanhã, no Maracanã. O anúncio, feito ontem pela Fifa, agradou ao brasileiro Romualdo Arppi Filho, que viveu experiência idêntica 28 anos atrás, quando apitou a decisão do Mundial de 1986, no México, também entre alemães e argentinos, vencida (3 a 2) por Maradona & Cia.

“Foi uma excelente escolha. A decisão está em boas mãos. O Rizzoli é muito bom tecnicamente”, avalia Romualdo, que gostou da atuação do italiano, de 42 anos, nos três jogos em que trabalhou na Copa — Holanda 5 x 1 Espanha, Argentina 3 x 2 Nigéria e Argentina 1 x 0 Bélgica.

Romualdo Arppi Filho apitou final de 1986Reprodução Internet

O fato de Rizzoli ter apitado dois jogos dos argentinos não é problema, segundo Romualdo. “Ele teve atuações seguras nestas partidas e manterá o nível domingo (amanhã)”, frisa o ex-árbitro, de 75 anos, que também elogiou o brasileiro Sandro Meira Ricci e o sueco Jonas Eriksson.

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“Eles foram muito bem e poderiam estar escalados para a final tranquilamente”, diz Romualdo, que, no entanto, considerou o nível da arbitragem neste Mundial apenas razoável. “Teve altos e baixos. Alguns árbitros deixaram a desejar na parte disciplinar. Houve jogos que parecia vale tudo”, observa, decepcionado com o espanhol Carlos Velasco Carballo, o inglês Howard Webb e o japonês Yuichi Nishimura.

“O espanhol, que apitou Brasil e Colômbia, foi péssimo, deixou a violência imperar, um caso de polícia. O Webb, que atuou na final de 2010, foi uma lástima no Brasil e Chile, assim como o japonês, que inventou um pênalti em Brasil e Croácia”, critica.

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Romualdo prevê uma decisão equilibrada no Maracanã e sem muitas dificuldades para Rizzoli. Confiante, nem conselho dá ao italiano: “Será um jogo fechado, decidido no detalhe, embora a Alemanha tenha mais time. O Rizzoli tem pulso firme. Não vejo dificuldade para a arbitragem.”

ALEGRIA E DEVER CUMPRIDO

Faz 28 anos, mas parece que foi ontem. Pelo menos para Romualdo Arppi Filho, que teve a missão de apitar a final do Mundial do México, em 1986, e, segundo relatório da Fifa, a cumpriu muito bem. “Fiquei feliz com a indicação e muito emocionado ao encerrar aquele jogo, com a sensação do dever cumprido”, relembra.

“A alegria de ter chegado onde todo árbitro sonha foi única. O Arnaldo Cezar Coelho havia apitado a decisão do Mundial de 1982, na Espanha, e eu não tinha muita esperança, já que nunca um árbitro do mesmo país havia apitado duas finais de Copas seguidas. Mas me enganei”, brinca Romualdo, que relembra o cartão amarelo dado a Maradona: “Ele se adiantou na barreira, em cobrança de falta, antes de eu apitar. Mas era um craque”, elogia.

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