São Gonçalo quer centro de cultura

Ideia da prefeitura é transformar prédio desativado em teatro nos moldes do Municipal de Niterói

Por O Dia

Rio - De um lado, o governo do estado. Do outro, a Prefeitura de São Gonçalo. E no meio, o prédio onde funcionava o fórum da cidade, desativado no mês passado. Construído nos anos 50 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o imóvel já foi referência de cultura na cidade. Era ao lado dele, na Praça Zé Garoto, nessa década, que artistas, intelectuais e moradores se reuniam para ler e declamar poesias.

Estrutura do antigo fórum da cidade está desativada. A ideia da prefeitura é fazer ali um pavilhão de arteDIVULGAÇÃO / ASCOM-SG

Mas o lugar pode voltar a ser ponto de encontro da arte em São Gonçalo. Se depender do município, o prédio vai ser um teatro nos moldes do Municipal de Niterói. Mas, como pertence ao estado, o secretário de Turismo e Cultura e presidente da Fundação de Artes de São Gonçalo, Michel Portugal Jaegger, ainda aguarda o ‘sim’ do governador Luiz Fernando Pezão.

Jaegger já enviou ofício ao palácio pedindo a cessão do imóvel para fins artísticos.

“Visitei o prédio e sei que tem estrutura até para abrigar um centro cultural. São Gonçalo precisa desse espaço”, diz o secretário.

A Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão informou que o prédio ainda não foi formalmente devolvido pelo Tribunal de Justiça, mas que o pedido de cessão do imóvel está sendo analisado.

Artistas estão mobilizados na luta por um teatro popular

A classe artística de São Gonçalo vem se mobilizando pelo imóvel. Mês passado, foram feitos abraços simbólicos ao prédio com quase 500 pessoas por evento. Um abaixo-assinado será entregue às autoridades reivindicando o espaço.Quinta-feira, às 16h, haverá outro encontro.

“É a primeira vez que esse pedido é feito pela prefeitura. A nossa classe sempre bateu nas portas implorando um teatro. Desta vez é o contrário”, conta líder do movimento, o ator, diretor e coreógrafo Kadú Monteiro.

Mas não é de agora que o prédio chama atenção. Há uma especulação de que painel na fachada do imóvel seria de Cândido Portinari, um dos maiores artistas plásticos do Brasil. O que a pesquisadora do projeto Portinari da PUC, Noélia Coutinho, descarta: “Não é dele. A família guardava toda a documentação sobre grandes obras e não há registro dessa.”