Advogada se diz ameaçada e deixa clientes da Lava Jato

Pressão aumentou após delator falar de propina a Eduardo Cunha em depoimento

Por O Dia

Rio - A advogada Beatriz Catta Preta afirmou ontem que decidiu deixar os casos dos clientes que defendia na Operação Lava Jato porque se sentia ameaçada e intimidada por integrantes da CPI da Petrobras. Sem citar nomes, a advogada disse que decidiu encerrar a carreira a fim de zelar pela segurança da família.

Beatriz Catta Preta fechou o escritório por zelo à segurança da famíliaReprodução

“Depois de tudo que está acontecendo, e por zelar pela segurança da minha família, dos meus filhos, eu decidi encerrar a minha carreira na advocacia. Eu fechei o escritório”, afirmou Catta Preta, em entrevista ao ‘Jornal Nacional’, da TV Globo.

Catta Preta foi responsável por fechar nove dos 18 acordos de delação premiada de investigados com o Ministério Público na Lava Jato. Ela foi convocada a depor na CPI, depois que o consultor Júlio Camargo revelou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teria pedido US$ 5 milhões de propina. “Vamos dizer que (depois do depoimento de Júlio Camargo) aumentou essa pressão, aumentou essa tentativa de intimidação a mim e à minha família”, observou.

Catta Preta negou ter recebido mais de R$ 20 milhões de honorários por seu trabalho com investigados da Lava Jato. “Esse número é absurdo. Não chega perto da metade disso”, garantiu. Segundo ela, o dinheiro foi recebido no Brasil por meio de transferência bancária ou em cheque, com emissão de nota fiscal e recolhimento de impostos.

Ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, liberou a advogada de ter que prestar esclarecimentos à CPI da Petrobras sobre quanto recebeu em honorários. O ministro atendeu a pedido da OAB, atacando a convocação da advogada pela comissão de inquérito para falar sobre honorários. 

Delator deixa a prisão

O consultor Mario Goes deixou ontem a prisão, depois da homologação do acordo de delação premiada pelo juiz federal Sérgio Moro. Ficou acertado que Goes pagará multa de R$ 38 milhões pelos danos que confessou ter praticado como operador de pagamentos de propinas.Goes ficará em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Goes estava preso desde fevereiro. Seu primeiro depoimento como delator foi feito na última terça-feira à Polícia Federal.O consultor admitiu ter movimentado ao menos R$ 3,4 milhões e outros US$ 6 milhões, no Brasil e no exterior, para o pagamento de vantagens.

Goes é réu em duas ações penais da Lava Jato, acusado de fazer propinas pagas por empreiteiras chegarem à diretoria de Serviços da Petrobras. À PF, ele contou que foi convidado pelo ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco a usar suas empresas para receber “comissões”.

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