Por paulo.gomes

Rio - Se a sensação térmica está em torno dos 50º na areia, nada melhor do que refrescar a cabeça dentro do mar. Atentos, empreendedores de verão apostam na tendência e investem em atividades aquáticas como o stand up paddle, a canoagem, o surf e o mergulho profissional e de batismo.

Gerente de Atendimento do Sebrae/RJ, Rodrigo Bentes diz que aproveitar negócios sazonais, como os de verão, por exemplo, exige os mesmos — ou até mais — cuidados ao abrir uma empresa.

A Narwhal leva mergulhadores às Ilhas Tijucas e Cagarras%2C no Rio de JaneiroDivulgação

“Como em todo o negócio, é necessário fazer o estudo prévio, ter planejamento. Deve-se perguntar quanto que vai aplicar, se faz ou não financiamento para compra de equipamentos, qual taxa de juros, observar a concorrência, entre outros”, explica.

De acordo com o técnico, o Rio de Janeiro é muito propício aos esportes alternativos e, segundo ele, os próprios empreendedores devem somar forças e divulgar melhorar as atividades em pontos estratégicos da cidade para os turistas como em aeroportos, cais do porto e hotéis.

Ciente do crescimento das atividades subaquáticas, o carioca José Augusto D’Orsi, 44 anos, abriu no Rio a primeira franquia da escola de mergulho Narwhal há um ano. Hoje, ele tem uma loja de equipamentos na Barra da Tijuca, oferece cursos e mergulhos profissionais, além de excursões nacionais e internacionais. “O mergulho é um esporte para todas as idades”, diz.

Modalidade conquista carioca e atrai turistas com mais dinheiro

O stand up paddle conquistou os cariocas e rende lucros para muita gente, especialmente os mais jovens. É o caso do professor de Educação Física Andrey Marques, 27 anos, que começou como estagiário em uma escola na Praia de Copacabana e hoje tem o seu próprio negócio nas areias de Ipanema.

Na Praia de Copacabana%2C a escola Soul Rio dá aulas de stand up paddleDivulgação

“Esse é um dos esportes que mais crescem no mundo. A adaptação é rápida, diferentemente do surf, em que as pessoas demoram mais para aprender. Por isso, o stand up ganha adeptos de várias idades, desde crianças a idosos”, explica o instrutor.

Segundo ele, é preciso ter autorização da Prefeitura do Rio para abrir uma escola de surf ou stand up. A Associação de Instrutores Praticantes e Profissionais de Stand Up Paddle (Aprosup) já encaminhou um projeto de lei à Câmara Municipal do Rio para regulamentar o esporte nas praias da cidade.

Proprietário da Soul Rio, escola de surf, no Arpoador, e de stand up, em Copacabana, Luis Felipe Alecrim, 30 anos, diz que a procura aumentou bastante em relação ao verão passado. “No começo, achamos que fosse só uma onda, mas não. É um esporte que veio para ficar”, afirma.

Meca do mergulho

As aulas de stand up paddle nas praias de Ipanema e Copacabana custam de R$ 60 a R$ 70 por hora. É possível ainda alugar apenas a prancha para praticar sozinho por R$ 50.

“Quem nunca teve contato como esporte é obrigado a fazer pelo menos uma aula com o instrutor”, diz Felipe.

Para quem gosta de mergulho, o município de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, é a meca do esporte. Só perde para Fernando de Noronha (PE), no Nordeste. Em Arraial há 13 operadoras que oferecem cursos e mergulhos para especialistas ou de batismo, quem faz pela primeira vez acompanhado de um instrutor. A variedade da fauna marinha e o mar verde são propícios para a prática do esporte.

“Vem gente de todo o país o ano inteiro. É uma atividade que movimenta a economia local, como pousadas e restaurantes”, diz Gustavo Assad, sócio da SeaQuestSub.

Márcia Exposito, da By Fish, concorda com Gustavo, afirmando que esses turistas têm mais recursos.

Gustavo Assad%2C da SeaQuest Sub%2C recebe turistas de todo o paísDivulgação

Formalização e profissionalismo são importantes para progredir

Além das aulas e do aluguel de pranchas, Luis Felipe Alecrim também faz parcerias com empresas que querem divulgar a marca por meio de uma atividade diferenciada. As campanhas incluem curso de stand up paddle gratuitas para os clientes. “Já trabalhamos com a Adidas e a Farm, e tivemos resultados muito positivos”, avalia.

Agora, ele pretende fazer o registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para melhorar sua estrutura. “Minha preocupação é elevar o nível de profissionalismo. Quero adquirir uma máquina de cartão de crédito”, explica o surfista.

Segundo ele, é muito comum encontrar escolas informais nas areias das praias, o que representa riscos para a segurança dos praticantes do esporte.

“O que me incentivou a dar aulas de stand up é que se trata de uma atividade maravilhosa, que tem uma procura grande. Mas eu via pessoas não muito comprometidas. Era tudo muito informal. Por isso, decidi profissionalizar o negócio e estou lutando para que seja regulamentado. Pois, se acontece um acidente, pode prejudicar mesmo quem trabalha direito”, diz.

Atividade ainda encontra espaço na Zona Oeste

O stand up paddle começou a se popularizar no Rio em 2012. A partir daí vem ganhando cada vez mais novos adeptos. Com isso, o número de escolas que ensinam o esporte cresceu nas praias de Ipanema e Copacabana, na Zona Sul da cidade, que já não têm espaço para receber novos instrutores.

Para Luis Felipe Alecrim, criador da escola Soul Rio Surf e Stand Up, em Copacabana, o melhor para quem deseja abrir um negócio é investir nos bairros da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, que ainda possuem poucas opções de atividades nas praias. “Na Zona Sul a concorrência já é feroz. É um mercado bem explorado. Mas acredito que emoutras regiões ainda tenha bastante espaço para crescer”, diz.

Proprietário da escola Stand Up Paddle Rio, em Ipanema, Andrey Marques alerta para as condições para começar a dar aulas. “É preciso ser formado em Educação Física e ser registrado no Cref. Há fiscalização da atividade”, conta.

Esportes na Internet

Stand up Paddle Rio - Oferece aulas a R$ 60 por hora e aluguel de pranchas a R$50. Mais informações: www.standuppaddlerio.com.br.

Soul Rio - As aulas de stand up custam R$ 70 a hora. Já o aluguel das pranchas sai a R$ 50. Informações na página da escola no Facebook: goo.gl/BNDAFw.

Narwhal Rio - Curso de mergulho com quatro aulas, sendo com duas saídas de barcos, custa R$ 1.250. Para quem já é certificado vai de R$ 180 a R$ 200, com dois cilindros e 40 minutos em baixo d’água.www.narwhal.com.br.

SeaQuestSub - Cursobásico a R$ 900. Mergulho de batismo com instrutor a R$ 190; turismo de mergulho para certificados, a R$ 140. www.seaquestsub.com.br.

By Fish - Assim como a SeaQuest fica em Arraial do Cabo. Curso básico a R$ 812; batismo a R$ 185. www.byfish.com.br.

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