Por bferreira

Rio - O uso de botox para fins estéticos, que ameniza rugas e linhas de expressão, já é amplamente conhecido. Mas o que pouca gente sabe é que a técnica também pode ser aplicada por dentistas no tratamento de pacientes com bruxismo e disfunções na mandíbula. O procedimento traz alívio para as dores em 48 horas.

De acordo com a cirurgiã-dentista Katyuscia Lurentt, o objetivo das injeções com a substância, chamada de toxina botulínica e extraída de uma bactéria, é aliviar a tensão dos músculos, responsável pelo incômodo.

A médica explica que o bruxismo acontece quando os pacientes rangem os dentes durante a noite, o que desgasta a arcada, causa muita dor e pode quebrar a coroa dos dentes.

Já a disfunção da articulação temporomandibular normalmente atinge mulheres com ansiedade, tensão e estresse, que representam 78% dos casos. A vida corrida e a pesada carga de trabalho são responsáveis pelo aumento no número de pacientes com os sintomas nos consultórios, na opinião de Katyuscia. “Os músculos da face ficam contraídos, o que causa inflamação e dores agudas, potencializando o mau humor”.

Ela acrescenta que esses pacientes também mantêm os músculos tensos durante o sono, em um momento em que deveriam estar relaxados.

A especialista lembra que as injeções conseguem diminuir rapidamente as dores, mas não substituem os tratamentos convencionais. No caso do bruxismo, o botox aplicado nos principais músculos da mastigação deve ser combinado com medicamentos ansiolíticos e uma placa noturna que, colocada dentro da boca, dificulta o ranger dos dentes. Em relação à disfunção, o ideal é que a nova técnica também seja acompanhada de placa, anti-inflamatórios e sessões de terapia.

Quem não pode fazer o tratamento

O tratamento é contraindicado para gestantes, mulheres que amamentam e alérgicos à abomina, substância contida no ovo e que também está na toxina botulínica. O custo de cada sessão varia entre R$ 1,5 mil a R$ 3 mil. Uma aplicação, feita em consultório, tem efeito por seis meses.

Com dores decorrentes do bruxismo e da disfunção da articulação temporomandibular, Regina Helena de Oliveira Queiroz, 55 anos, optou pelo tratamento. “Não conseguia abrir a boca nem mastigar direito. Os remédios não faziam efeito”, conta. Depois de duas sessões, as dores não aparecem mais.

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