Brasileiros e alemães se rendem à superstição

De coreografias a camisas repetidas, passando por vela acesa à santa, vale tudo quando os torcedores apelam ao sobrenatural pela vitória da Seleção

Por nara.boechat

Rio - Camisa da sorte, comida especial, reza ou grito de guerra. À medida que os jogos finais da Copa do Mundo se aproximam, os torcedores brasileiros ressuscitam antigas mandingas ou criam novas manias para dar sorte à Seleção. O futebol representa também a celebração de diversos rituais para outros países. Seja em busca de sorte ou para as comemorações.

Os alemães Tobias Gottmann e Marcus Grebs usaram a dança 'robótica' contra a França e hoje pretendem repetir a dose contra o BrasilJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Objetivos e compenetrados, os alemães aparentam estar alheios a essa mística que envolve os brasileiros em grandes decisões. Mas só parece. Os amigos alemães Marcus Grebs, 34 anos, e Tobias Gottmand, 29 anos, chegaram ao Rio há pouco mais de uma semana para ver as partidas das quartas e das semifinais. Distantes das crenças que antecedem as partidas, eles colocaram em prática uma tradicional comemoração alemã após a vitória sobre a França. Deixaram o Maracanã dançando em estilo robótico e cantando a plenos pulmões: “Esse é o jeito dos alemães.”

Outro compatriota de Marcus e Tobias mais supersticioso, Axel Wilclen, 24 anos, se apegou ao novo uniforme rubronegro. “Tenho cinco camisas alemãs, mas usei apenas essa nos jogos para dar sorte”, contou.

Roseli Rainho (à esquerda) recorre à santa%2C e Ana Cristina Nunes pinta as unhas nas cores do BrasilJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

No que depender da torcida brasileira, os estrangeiros vão perder de goleada na corrida pela sorte. Na casa da aposentada Marilena Foster, 65 anos, o técnico Felipão tem o apoio de Nossa Senhora Aparecida. Muito antes do Mundial, ela comprou duas bandanas com a bandeira brasileira. Uma envolve o manto da Santa e a outra enfeita seus cabelos pela rua.

“No último jogo, acendi uma vela e logo saiu o gol do Thiago. Depois, no segundo tempo, quando estava pegando outra vela, o David marcou”, afirmou.

Para a professora Roseli Rainho, 53 anos, também não tem erro. No jogo contra o Chile, uma bandeira do Brasil cobriu o rack da sala, que depois acompanhou a família no jogo contra a Colômbia. “Contra a Alemanha, a bandeira vai para a casa da minha mãe”, explicou Roseli. A amiga Ana Cristina Nunes sempre colore as unhas com esmalte verde e amarelo.

Se a superstição funcionar, a comemoração está garantida. No hostel Samba Palace, em Laranjeiras, cada gol do Brasil vale uma caipirinha. No Boteco do Carlitos, em Vista Alegre, e no Quiosque Brahma, na Vila Valqueire, os gols valem chope grátis.

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