Por bruno.dutra

Rio - O Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Rio de Janeiro (Cerhi-RJ) recomendou à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao governo estadual a adoção de uma campanha de racionalização do consumo de água, com o objetivo de minimizar os efeitos da crise hídrica sobre a Bacia do Paraíba do Sul. A carta foi enviada no sábado e, segundo representantes do Conselho, ainda não houve resposta. Responsável pelo abastecimento de 14,2 milhões de pessoas, incluindo a região metropolitana do Rio, os reservatórios da bacia estão em seu menor nível histórico.

“Estamos passando por um momento de crise e existe uma dificuldade grande de entrar na mídia para discutir o tema e até adotar medidas de racionalização que deveriam ser permanentes. Por isso, queremos a ajuda do governo estadual”, explica Júlio César Antunes, diretor executivo do Comitê Guandu, que recebe água do Paraíba do Sul para abastecer a região metropolitana do Rio. Na carta, o Cerhi-RJ solicita ainda a “elaboração imediata de um plano de contingência de segurança hídrica das bacias dos rios Paraíba do Sul e Guandu, como medida de cautela, conforme proposto pela SEA (Secretaria Estadual do Ambiente) em documento enviado à ANA”.

Na última sexta-feira, a SEA solicitou à ANA estudos sobre o uso do volume morto do Paraíba do Sul e recebeu como resposta a recomendação de avaliação sobre um plano de contingência que instituísse, entre outras coisas, medidas para “adequação da demanda à oferta”, com prioridade para o abastecimento humano, caso a atual situação de escassez de água se estenda. Ontem, a Secretaria esclareceu que a solicitação foi feita considerando o pior cenário. “Neste cenário, o Estado do Rio de Janeiro não conta com as chuvas da estação (que provavelmente virão). A orientação é trabalhar com um quadro adverso”, explicou, em nota oficial. “O dever de casa está sendo feito e o Rio se mantém um passo a frente”, concluiu a Secretaria.

Questionada sobre a adoção de uma campanha de racionalização do consumo, a SEA não respondeu até o fechamento desta edição. A secretaria faz parte do Cerhi-RJ, por meio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A adoção de medidas de contenção do consumo tem sido solicitada repetidamente por representantes dos comitês gestores da Bacia do Paraíba do Sul.
No último dia 9, segundo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios da bacia estavam com 9,3% de sua capacidade máxima.

Cedae nega risco de falta d’água na região

A Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) afirmou ontem que não há risco de falta de água na região metropolitana do Rio de Janeiro.

“O que existe são algumas regiões do estado, abastecidas por mananciais locais, que podem ter o abastecimento prejudicado se não chover nos próximos 30 dias, que é um fenômeno comum em períodos de estiagem”, informou a empresa, em nota. A companhia acrescentou que a produção está além de sua capacidade, que é geralmente de 43 mil litros por segundo.

“Atualmente, a Cedae capta 45 mil litros por segundo do Guandu, que é a transposição do Paraíba do Sul na barragem de Santa Cecília. Portanto, a Cedae reitera que não há risco de falta de água na região metropolitana do Rio de Janeiro”. A estiagem e o nível baixo do Paraíba do Sul já causou danos a diversos municípios do Rio de Janeiro, principalmente no setor agrícola. A região mais afetada é o Norte fluminense, próxima à foz do rio, no município de São João da Barra. A Prefeitura de São Fidélis foi a primeira a decretar situação de emergência, no dia 30 de setembro.

com ABr

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