Renan Calheiros, citado em 3 inquéritos, promete esclarecer

Eduardo Cunha diz que irá se manifestar quando conhecer conteúdo do inquérito. Anastasia se defende em vídeo no Youtube

Por bruno.dutra

Com seu nome citado em três inquéritos de investigação da parte política da Operação Lava Jato, por suposta participação em “esquema criminoso de corrupção e lavagem de dinheiro relacionado à Petrobras”, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), prometeu prestar todos os esclarecimentos necessários. “Nas democracias, todos — especialmente os homens públicos — estão sujeitos a questionamentos, justos ou injustos. A diferença está nas respostas. Existem os que têm o que dizer e aqueles que não. Quanto a mim, darei todas as explicações à luz do dia e prestarei as informações que a Justiça desejar”, disse, em nota.

Já o presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), usou sua conta no Twitter para dizer que “a confirmação de que o PGR pediu abertura de inquérito contra mim merecerá a devida resposta assim que tiver conhecimento do conteúdo”.

Em seu relatório sobre os pedidos do procurador-geral, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a necessidade de investigação sobre as acusações surgidas nos interrogatórios sob delação premiada, afirmando que “tais depoimentos não constituem, por si só, meio de prova, até porque, segundo disposição normativa expressa, nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador”.

O senador e ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia, único político do PSDB citado nos inquéritos, usou as redes sociais e um vídeo de 57 segundos no Youtube para se defender. Ele se diz inocente e pede uma apuração rápida para desvincular seu nome do escândalo. “Não conheço, jamais estive ou falei com o sr. Jayme (o “Careca”, que disse ter entregue dinheiro a Anastasia). Da mesma forma, não conheço, jamais estive ou falei com o sr. Youssef (Alberto, doleiro, que também citou o senador mineiro em seu depoimento)”.

O Partido Progressista (PP) — criado em 1995 como Partido Progressista Brasileiro e que tem a quarta maior bancada da Câmara, atrás apenas de PT, PMDB e PSDB — destaca-se como a instituição mais implicada nos inquéritos da parte política da Lava Jato, que serão conduzidos pelo procurador-geral Rodrigo Janot a partir desta semana, com prazo de conclusão em 30 dias. Dos 40 deputados federais do PP em Brasília, 18 (45% da bancada) serão investigados.

Além disso, três dos cinco senadores do PP — Gladson Camelli (AC), Benedito de Lira (AL) e Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do partido — também estão citados nos inquéritos.
Somem-se a eles outros 11 ex-deputados do partido — um deles, o ex-deputado baiano Luiz Argôlo, está desde 2013 no Solidariedade. Ao todo, serão investigados 33 políticos do PP, quase 70% dos 49 citados nos inquéritos.

Importante aliado da base governista, o PP conta em suas fileiras com nomes nacionalmente conhecidos, como os deputados federais Paulo Maluf (SP), Jair Bolsonaro (RJ), Esperidião Amin (ex-governador de Santa Catarina) e Júlio Lopes, ex-secretário de Estado de Transportes do governo Sérgio Cabral (RJ); a senadora Ana Amélia, candidata derrotada na última eleição ao governo do Rio Grande do Sul; e o vice-governador do Rio e ex-senador Francisco Dornelles, que é presidente de honra do partido.

O PP tem ainda com outros sete vice-governadores, além de centenas de deputados estaduais, vereadores e prefeitos em quase todos os estados. Dos 29 membros da Executiva Nacional do partido, quase metade (14) está na lista de Janot.

com ABr e Reuters

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