Taxa de desemprego em São Paulo volta a subir em fevereiro

Desocupação na Região Metropolitana da capital passou de 9,8% em janeiro para 10,5% no último mês, aponta estudo do Dieese

Por bruno.dutra

São Paulo - A despeito do cenário de baixa atividade econômica, mais pessoas passaram a procurar emprego em fevereiro. Esse é um dos motivos que explica o aumento da taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) de 9,8% em janeiro, para 10,5% no mês passado, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada ontem pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Em fevereiro, a População Economicamente Ativa (PEA) teve aumento de 0,4%, com 42 mil pessoas a mais fazendo parte da força de trabalho da região. Além disso, houve a eliminação de 38 mil ocupações. Com isso, o contingente de desempregados foi estimado em 1,138 milhão de pessoas - 80 mil a mais que em janeiro. “A redução no nível de ocupação é efeito conjugado do aumento da PEA, que inclui empregados e pessoas em busca de emprego, e da diminuição da oferta de postos de trabalho” disse o coordenador de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian.

Segundo Loloian, não é comum essa expansão de pessoas buscando trabalho nesta época do ano, quando as empresas ainda estão fazendo planos de investimentos e não costumam contratar. “Talvez o que explique é que depois de algum tempo sem ocupação, elas retomem a busca.”

Os setores que mais eliminaram vagas foram serviços (32 mil postos, ou -0,6%) e construção (22 mil postos, equivalente a 3,2%). “A construção passa por um momento atípico, com o nível de ocupação particularmente baixo, não só no segmento residencial, mas também em infraestrutura. O estoque de imóveis está elevado e as construtoras estão reduzindo lançamentos, o que reflete diretamente no emprego”, disse Loloian. Na comparação com fevereiro de 2014, o setor fechou 72 mil vagas: 9,8% do total.

Já a indústria de transformação manteve relativa estabilidade na passagem de janeiro para fevereiro, com o fechamento de 6 mil postos de trabalho. “A indústria fez um ajuste muito forte no final do ano passado e a impressão que tenho é que, agora, alcançou certa estabilidade. Mas não dá para garantir. Afinal, o setor teve um comportamento bastante errático nos últimos anos, indo do céu ao inferno várias vezes”, afirmou o coordenador da Fundação Seade.

Na análise do economista, o dólar valorizado em relação ao real pode trazer algum alívio para o setor, que volta a ser competitivo nas exportações, ainda que o mercado interno não cresça.

O que impediu uma expansão maior do desemprego foi o comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, que depois de vários meses, voltou a contratar. Em fevereiro, o setor gerou 32 mil vagas, alta de 1,9% em comparação com janeiro. Segundo Loloian, as demissões no setor tiveram início em agosto do ano passado, e só foram interrompidas em dezembro, em um movimento tipicamente sazonal. Em janeiro, houve novas demissões.

A boa notícia, disse Loloian, é que na análise da qualidade do emprego, constatou-se que o número de assalariados com carteira assinada manteve certa estabilidade (+0,2%), enquanto os sem carteira diminuíram 5,0%. O número de autônomos caiu 1,1%.

“Houve redução nas ocupações precárias. Isso é um sinal de que o mercado de trabalho não está em um processo de deterioração tão rápido “ afirmou Loloian. Ainda assim, disse, não é possível falar em cenário, pois falta decidir muita coisa para saber qual será o caminho da economia neste ano.

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