São Paulo - A Avenida Paulista, um dos símbolos da cidade de São Paulo, passará a ter oficialmente sua faixa exclusiva para ciclistas a partir desse domingo. A inauguração oficial será feita pela Prefeitura, mas o movimento nas redes sociais já indica que haverá uma festa popular organizada por cicloativistas e outros movimentos em defesa do resgate do espaço público. “Vários integrantes da Associação Nacional de Transporte Público me falaram que estarão na cidade para acompanhar esse momento. Existe uma associação de defesa da mobilidade a pé que está em formação e também deve participar para marcar posição em defesa das alternativas de transporte não motorizado”, afirma Meli Malatesta, urbanista e cicloativista.
Antes mesmo da criação da faixa confinada, a avenida já era um símbolo do uso da bicicleta na cidade. Além de ser muito utilizada em deslocamentos por ser plana e ligar pontos importantes da cidade, a Paulista também foi sede de manifestações importantes como a bicicletada. Em março, a maior manifestação de ciclistas do país, que atraiu 7 mil pessoas, foi feita justamente lá, para protestar contra a ação de uma promotora do Ministério Público do Estado de São Paulo contra a construção de ciclovias na cidade. Na época, uma liminar chegou a paralisar as obras de outras faixas para veículos não motorizados, mas o juiz não atendeu ao pedido da promotora para que a Prefeitura fosse obrigada a refazer o asfaltamento antigo da avenida. Dias depois, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo cassou a decisão de primeira instância e as obras prosseguiram. Ao todo, o prefeito Fernando Haddad pretende entregar 400 quilômetros de ciclovias até o fim de seu mandato, em dezembro de 2016.
Para o superintendente de Planejamento da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo, Ronaldo Tonobohn, a obra tem grande valor simbólico, mas a importância de sua inauguração não para por aí. “A Paulista é um ponto de confluência, com várias opções de trabalho e estudo, as duas atividades que mais geram deslocamentos de ciclistas na cidade. Além disso, a nova ciclovia terá um papel muito importante para a ligação entre diferentes regiões”, explica. Segundo ele, a intenção é que a via exclusiva siga até a avenida Doutor Arnaldo de um lado, além da ligação já existente com a ciclovia da Rua Vergueiro. Com a construção de uma faixa confinada na Rua da Consolação, será possível fazer também a ligação da Zona Sul da cidade com o centro e a região Oeste, que serão interligados pela ciclovia que está em construção na parte debaixo do minhocão e deve seguir até o Terminal Barra Funda.
Ele explica que as obras das avenidas Paulista e São João devem servir de modelo para as ciclovias que serão construídas para acompanhar os 150 quilômetros de corredores de ônibus que a SPTrans pretende construir. “Como serão feitas grandes intervenções nessas avenidas para receber as faixas de transporte coletivo, incluímos também a obra para o espaço exclusivo para veículos não motorizados”, explica. Tonobohn afirma que o padrão não foi seguido em todas as demais ciclovias por uma questão de custo e também por nem sempre a faixa no canteiro central ser a melhor solução urbana. Segundo ele, uma das prioridades do plano da Prefeitura de São Paulo é não tirar espaço de faixas de rolamento de carros, priorizando a retirada de vagas de estacionamento das ruas. No caso da Avenida Paulista, houve uma redução no tamanho das faixas para conseguir acomodar o espaço para o deslocamento de ciclistas dentro do canteiro central.
Para Tonobohn, a inauguração terá um impacto na discussão de ciclovias em outras partes do país. “Os cicloativistas de outras cidades vão poder pressionar as autoridades locais, mostrando que a bicicleta é uma opção real dentro do sistema de transportes e que foi possível incluí-la até no sistema de transportes de uma metrópole como São Paulo, que é o maior da América do Sul”, afirma. Ele conta que o projeto de construção de faixas para deslocamento não motorizado na cidade tem atraído a atenção de outros gestores municipais. Na semana passada, por exemplo, ele esteve em Niterói para discutir o tema.