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CoronavacReprodução
Por O Dia
O Instituto Butantan vai suspender a produção da vacina contra a Covid-19, CoronaVac, por falta de insumo a partir desta sexta-feira, dia 14. Todo a matéria-prima recebida no último lote, em 19 de abril, já foi processada, portanto sem material para o fornecimento de novas doses.
Para a retomada da produção de novas doses, o Butantan aguarda a liberação de um novo lote com 10 mil litros de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) pelo governo chinês. 
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Em abril, o instituto chegou a suspender o envase do imunizante no país, entretanto os setores de rotulagem e controle de qualidade ainda funcionavam para a entrega de doses ao Ministério da Saúde. Desta vez, não há mais material para processamento em nenhuma etapa de produção. 
Em nota, o instituto informa que já distribuiu ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) o total de 46,112 milhões de vacinas e, que, nesse universo, mais 1,1 milhão será entrega nesta sexta.
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"O Butantan aguarda autorização do governo chinês para a liberação de mais matéria-prima necessária para a produção da vacina. Questões referentes à relação diplomática Brasil x China podem, sim, estar interferindo diretamente no cronograma de liberação de novos lotes de insumos", afirma o instituto, em nota. 
O Butantan também ressalta que não há qualquer entrave relativo à disponibilização do insumo ao Butantan por parte da biofarmacêutica Sinovac. 
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Nesta semana, o presidente do instituto, Dimas Covas, já havia se manifestado com o problema do atraso dos insumos. "Não teremos mais vacinas, porque não recebemos o IFA. Então, aguardamos a chegada desse material para que isso possa ser processado. Situação parecida com essa também é enfrentada pela Fiocruz, que a informação que eu tenho é que não teve o seu IFA liberado. Preocupa muito, porque o cronograma de vacinação, não neste momento, mas a partir de junho, poderá sofrer algum impacto", disse ele. 
Segundo Covas, nesta semana havia a expectativa para a chegada de cerca de 4 mil litros do insumo até o sábado, dia 15. O diretor do instituto e o governador de São Paulo João Doria (PSDB) voltaram a atribuir a dificuldade para o IFA ser liberado à postura do presidente Jair Bolsonaro e membros do governo federal, que fizeram declarações ofensivas contra a China.
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"O mesmo laboratório, Sinovac, disponibiliza insumos para um país vizinho, o Chile, que não agride a China, que não tem o seu presidente falando mal do governo chinês, do povo chinês e de sua vacina. O fluxo é normal de entrega desses insumos para o Chile. Por que não é para o Brasil? Razões de ordem diplomática e as formas desastrosas de manifestação em relação ao governo da China", afirmou Doria.
O governador de São Paulo afirma que o objetivo do instituto é de entregar o total de 100 milhões de doses até 30 de setembro, mas o prazo poderá ser revisto diante do atraso nos envios de IFA da China.
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