Bolsonaro e outros sete são interrogados sobre tentativa de golpe de EstadoAFP

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve apoio de ministros, comandantes militares e outros colaboradores para tentar permanecer no poder em 2022, após perder as eleições para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Veja a seguir, os sete coacusados que serão interrogados esta semana com Bolsonaro ante o Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento que os expõe a uma pena de até 40 anos de prisão por um plano de golpe de Estado que não teria sido implementado pela oposição de altos comandantes militares.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo faz parte do chamado "núcleo crucial" da organização criminosa que atuou pela ruptura democrática.

Ajudante de ordens
Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e considerado seu braço-direito durante o seu governo, o tenente-coronel Mauro Cid se encarregou, segundo a PGR, de reunir supostas evidências de fraude nas eleições que Bolsonaro perdeu para Lula em 2022 para justificar um golpe.
Em seu telefone celular, os investigadores encontraram um discurso que o ex-presidente supostamente daria assim que o ato fosse consumado.

Cid, 46 anos, também é uma peça-chave da investigação, sob um acordo de delação premiada que poderia resultar em uma sentença reduzida se for condenado.
Tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro - Agência Brasil
Tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de BolsonaroAgência Brasil


Candidato a vice
O general Walter Braga Netto foi ministro da Defesa e candidato a vice-presidente em 2022 na chapa de Bolsonaro, com quem compartilha a nostalgia declarada pela ditadura militar (1964-1985).

Braga Netto, de 68 anos, é acusado de ser um dos líderes da trama golpista. Segundo a investigação, teria discutido em sua casa o plano "Punhal Verde e Amarelo", que contemplava o assassinato de Lula e outras autoridades. Está detido desde dezembro por tentar obstruir as investigações.
general Braga Netto foi ministro da Defesa e candidato a vice-presidente em 2022 na chapa de Bolsonaro - Fernando Frazão / Agencia Brasil
general Braga Netto foi ministro da Defesa e candidato a vice-presidente em 2022 na chapa de BolsonaroFernando Frazão / Agencia Brasil


General modelo
De instrutor de Bolsonaro na academia militar a ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional de seu governo, o general Augusto Heleno Ribeiro, de 77 anos, tem longa trajetória política e esteve à frente da Missão da ONU no Haiti (Minustah).

Segundo a investigação, foi um dos arquitetos dos ataques ao sistema de votação com urnas eletrônicas. Em uma reunião com Bolsonaro antes do pleito de 2022, Heleno afirmou: "Se tiver que virar a mesa, é antes das eleições".
General Augusto Heleno, instrutor de Bolsonaro na academia militar a ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional - Marcelo Camargo/Agência Brasil
General Augusto Heleno, instrutor de Bolsonaro na academia militar a ministro-chefe do Gabinete de Segurança InstitucionalMarcelo Camargo/Agência Brasil


Ministro da 'minuta'
Anderson Torres, de 48 anos, foi ministro da Justiça de Bolsonaro e era secretário de Segurança do Distrito Federal durante a invasão de bolsonaristas às sedes dos Três Poderes em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023, quando os simpatizantes do ex-presidente pediram intervenção militar para derrubar Lula.

Em sua residência, a polícia encontrou a minuta de um decreto para reverter o resultado das eleições, batizado na investigação como "minuta do golpe".
Audiência de Torres foi ministro da Justiça de Bolsonaro e era secretário de Segurança do Distrito Federal  - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Audiência de Torres foi ministro da Justiça de Bolsonaro e era secretário de Segurança do Distrito Federal Marcelo Camargo/Agência Brasil


Ministro da Defesa
O general Paulo Sérgio Nogueira foi ministro da Defesa nos últimos meses do governo Bolsonaro.

Nogueira, de 66 anos, participou de uma reunião na qual o ex-presidente discutiu a possibilidade de decretar "estado de defesa ou de sítio" para refutar o resultado eleitoral e justificar uma intervenção militar.
Paulo Sérgio Nogueira foi ministro da Defesa nos últimos meses do governo Bolsonaro - afp
Paulo Sérgio Nogueira foi ministro da Defesa nos últimos meses do governo Bolsonaroafp



Comandante da Marinha
O almirante Almir Garnier Santos foi nomeado comandante da Marinha por Bolsonaro em 2021.

Esteve presente em duas reuniões no fim de 2022, nas quais se discutiu a eventual implementação de medidas especiais. Garnier Santos, de 64 anos, apoiou a proposta de Bolsonaro e "falou que as tropas da Marinha estavam à disposição do presidente", segundo uma testemunha do julgamento.
Almir Garnier foi nomeado comandante da Marinha por Bolsonaro em 2021 - AFP
Almir Garnier foi nomeado comandante da Marinha por Bolsonaro em 2021AFP


Chefe de inteligência
O deputado federal Alexandre Ramagem (PL/RJ) é um ex-policial e homem de confiança da família Bolsonaro que comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o seu governo.

Ramagem, de 53 anos, é acusado de orquestrar uma campanha de desinformação nas redes contra opositores de Bolsonaro e o sistema eleitoral, auxiliado por uma rede de policiais e funcionários de inteligência.