Safra registra colheita recorde, com destaque para soja, milho, arroz e algodão impulsionados por clima favorável Pixabay
O homem que aparece no vídeo afirma, entre outros pontos, que “não compensa plantar arroz” porque o produto “não tem valor” e que o Brasil está sendo governado “por uma quadrilha”. Ao fazer uma busca no Google com as palavras “produtor”, “arroz”, “banco” e “Paraná”, o Comprova encontrou uma reportagem publicada em 25 de maio de 2018 pela BandNews TV. No YouTube, uma pesquisa por “arroz” e “Querência” mostrou o vídeo publicado dois dias antes.
Segundo o veículo, “entre as principais reivindicações dos rizicultores estão a diminuição dos gastos de produção por meio de cortes de impostos e uma negociação com o Mercosul” para rever acordos sobre a entrada de arroz do Paraguai no Brasil.
No vídeo, o homem também afirma que os produtores vão se juntar aos caminhoneiros “para pedir para esse Brasil um basta”. Ele diz que os caminhoneiros estão parados e critica a alta do preço do combustível. A paralisação começou em 21 de maio de 2018 e durou dez dias.
Coluna da 'Folha de S.Paulo' publicada em 23 de maio daquele ano, mesma data da publicação do vídeo no YouTube, dizia que, segundo Vlamir Brandalizze, analista da Brandalizze Consulting, de Curitiba, a saca de arroz “está sendo vendida entre R$ 35 e R$ 36, um valor que não cobre o custo de produção, próximo de R$ 40”.
Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova
O post sobre o protesto no Paraná tinha 29,2 mil compartilhamentos e 42,2 mil curtidas até 29 de outubro.
O Comprova tentou contato com o perfil, mas não houve resposta até a publicação deste texto.
Por que as pessoas podem ter acreditado
Sem informar a data em que ocorreu, as pessoas — principalmente as que já têm uma visão negativa sobre Lula — logo pensam que as imagens são de agora. E, ao se depararem com algo que confirma o que elas já acreditam, a chance de os internautas verificarem a informação é menor.
Fontes que consultamos: Pesquisa no Google e reportagens sobre produção de arroz e a greve dos caminhoneiros em 2018.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais, e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Outras checagens sobre o tema: Estadão Verifica, Reuters e Lupa também verificaram o mesmo conteúdo. Outras publicações que usavam a produção de arroz para desinformar já foram investigadas pelo Comprova, como a que dizia, de forma enganosa, que o arroz chinês era de plástico e seria importado para o Brasil. Na seção Comprova Explica, foi detalhada a medida do governo de zerar taxa de importação do arroz e suas consequências.
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