Ministro Alexandre Padilha comentou sobre próximo mutirão de cirurgiaÉrica Martin / Arquivo O Dia

Rio - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou, nesta segunda-feira (15), que o próximo mutirão de cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) será voltado para o público feminino. Neste fim de semana, no Rio, centenas de procedimentos foram realizados em unidades federais e instituições parceiras.
Em entrevista ao programa "Bom dia, ministro", Padilha destacou o resultado da iniciativa realizada entre sábado (13) e domingo (14). A ação tinha como objetivo desafogar as demandas por cirurgias, reduzindo o tempo de espera nas áreas de gastroenterologia, urologia, ortopedia, cardiologia, plásticas reparadoras, entre outras.
"Foi um sucesso o mutirão no Rio. Atingimos o volume. Queria chamar atenção para as cirurgias ortopédicas e a retomada do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) nas realizações. Além disso, a união da Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio), com o Hospital dos Servidores, fazendo cirurgias juntos, foi algo muito positivo", comentou.
A ação incluiu cirurgias bariátricas por videolaparoscopia, colecistostomia, plástica abdominal, hernioplastias e vasectomia. Também foram oferecidos consultas especializadas e exames, a exemplo de ultrassonografias, tomografias, endoscopias e ressonâncias magnéticas.
Ainda segundo o ministro, um novo mutirão está previso para março de 2026, com foco na saúde da mulher. Esse movimento pretende diminuir a fila de espera para realização de procedimentos em todo o país.
"A gente vai tratar com os estados e municípios sobre o próximo mutirão no mês de março com foco na saúde da mulher. Tem muitas mulheres que esperam por cirurgias de mioma, de endometriose, cirurgias para diagnóstico de câncer e de incontinência urinária. Que esses mutirões possam rapidamente cuidar desses problemas, fazendo uma mobilização muito grande em hospitais que, em sábados e domingos normalmente só atendem urgência, podendo fazer as cirurgias eletivas", completou.
Reestruturação de hospitais federais
Padilha também comparou o processo de reestruturação dos hospitais federais da cidade do Rio com o Flamengo, equipe campeã do Brasileirão e da Libertadores da América em 2025. O Ministério da Saúde tem parcerias com a Prefeitura do Rio (Andaraí e Cardoso Fontes), Fundação Oswaldo Cruz (Hospital da Lagoa), Grupo Hospitalar Conceição (Bonsucesso) e Unirio (Hospital dos Servidores). 
"Estamos fazendo uma grande reestruturação dos hospitais federais no Rio. Cada um tem uma estratégia diferente. Eu tenho brincado um pouco que é igual o Flamengo, que fez uma grande reestruturação na diretoria, no comportamento e depois só ganhou títulos. Em algumas parcerias, já ocorreram certas etapas e agora são novos hospitais. Outro objetivo é reativar os institutos nacionais, como o Into, que voltou a ampliar as suas cirurgias ortopédicas", destacou.
Em setembro, Padilha esteve no Hospital da Lagoa, Zona Sul, para anunciar o plano de reestruturação da unidade em parceria com o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Na época, foi divulgado que o objetivo era ampliar e agilizar o acesso da população à aos serviços de oncologia, ortopedia e cardiologia com a contratação de mais de 2 mil profissionais, aberturas de salas de cirurgia e de novo leitos.
"Na Lagoa, há uma ação muito importante com a Fiocruz. Juntará o IFF, que é um hospital materno-infantil referência no Brasil e no mundo, com o potencial do Hospital da Lagoa, que tem parte de oncologia, outros serviços e capacidades de estrutura cirúrgica. Ao longo de 2026, vamos cumprir o plano de alguns serviços, que estavam com volume pequeno de atendimento por dia, aumentar e multiplicar para que o Hospital da Lagoa volte cada vez mais a ser um hospital de referência", ressaltou.
Padilha ainda afirmou que o programa de residência clínica e cirúrgica na unidade continuará ocorrendo. "A equipe da Fiocruz já está no Hospital da Lagoa junto com os trabalhadores de lá, que tem até o final desse ano para decidir se continuam na unidade ou querem ir para outro serviço. Eles querem ficar e acreditam nessa grande reestruturação. O pessoal também tinha a preocupação de cancelamento da residência. Não vai ocorrer, pelo contrário, houve uma grande adesão nas provas."
Já a parceria com a Prefeitura do Rio para administração do Hospital do Andaraí, na Zona Norte, e do Cardoso Fontes, na Zona Sudoeste, completou um ano neste mês de dezembro. No primeiro, foram inaugurados o Centro de Emergência Regional (CER) do Andaraí, onde o setor de emergência passa a funcionar de maneira definitiva, e o restaurante da unidade, que ficou fechado por 12 anos. No segundo, houve a entrega da climatização completa dos leitos e a reforma do prédio B.
Vacinas brasileiras
Padilha também revelou novidades sobre a produção de vacinas no Brasil. Uma delas será a da bronquiolite para as gestantes, através de um acordo entre o Instituto Butantan e uma empresa internacional. Outra é a Fiocruz assumindo toda a produção de uma nova vacina contra a meningite. A terceira é uma iniciativa com apoio do Brics e da China para desenvolvimento da vacina da catapora. 
"Nós vamos dominar a produção de vacinas muito importantes para doenças respiratórias. Cada vez mais estamos trabalhando para produzir vacinas e medicamentos para o câncer. Estamos aumentando nossa capacidade de produção para a gente ter soberania na defesa da saúde", destacou.