Em agosto, Bolsonaro passou para o regime de prisão domiciliar após descumprir medidas cautelares AFP

O ano de 2025 foi marcado por um turbilhão de acontecimentos que alteraram profundamente o cenário político, jurídico e diplomático do Brasil. Confira os eventos que definiram este ano histórico:
Janeiro
Este foi o mês em que o deputado Eduardo Bolsonaro fixou residência nos Estados Unidos. O parlamentar se estabeleceu no exterior com o propósito de buscar influência junto à gestão de Donald Trump para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a arquivar os processos contra seu pai relacionados à trama golpista. A articulação internacional, iniciada logo no começo do ano, serviu como um anúncio da crise diplomática e as sanções econômicas que aconteceriam dali para frente.
Fevereiro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a suspensão da rede social Rumble no Brasil. A medida foi tomada após a empresa ficar sem representante legal no país e o seu CEO, Chris Pavlovski, declarar publicamente que não cumpriria as determinações do STF, confundindo, segundo Moraes, liberdade de expressão com "liberdade de agressão".
Março
No dia 16, a Praia de Copacabana foi palco de um grande ato organizado pelo pastor Silas Malafaia. O evento, que contou com a presença de Jair Bolsonaro, governadores e parlamentares, teve como pauta central a defesa da anistia para os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Abril
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia de laparotomia exploradora no Hospital DF Star, em Brasília, para tratar uma subobstrução intestinal. O quadro de saúde foi relacionado a aderências intestinais decorrentes de procedimentos cirúrgicos anteriores.
Julho
Este mês marcou o início de uma grave crise diplomática. Em resposta ao que chamou de "caça às bruxas", o governo de Donald Trump impôs um "tarifaço" de 50% sobre as exportações brasileiras. No dia 30, os EUA aplicaram a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, bloqueando suas contas bancárias americanas e proibindo sua entrada no país, uma decisão inédita contra um ministro de Suprema Corte no mundo.
Por decisão de Moraes, Bolsonaro foi obrigado a instalar uma tornozeleira eletrônica por determinação de Moraes, sob a acusação de tentar coagir a Justiça brasileira através de influências estrangeiras.
Agosto
Bolsonaro passou para o regime de prisão domiciliar após descumprir medidas cautelares ao se comunicar com apoiadores via redes sociais de seus filhos. No dia 13, os EUA revogaram vistos de funcionários do governo brasileiro, citando o programa Mais Médicos como "trabalho forçado". Alguns dias depois, a Polícia Federal indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro por obstrução de Justiça. Mensagens recuperadas revelaram que o ex-presidente cogitou pedir asilo político na Argentina. No mesmo dia, o pastor Silas Malafaia foi detido no Aeroporto do Galeão para prestar depoimento.
Setembro
Em 11 de setembro, a Primeira Turma do STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Outros aliados, como Braga Netto (26 anos) e Anderson Torres (24 anos), também receberam penas severas. No dia 17, Bolsonaro teve alta hospitalar após a retirada de lesões que um laudo confirmou serem câncer de pele (carcinoma de células escamosas). Pouco depois, manifestações massivas que gritavam "Sem Anistia" ocuparam capitais em todo o Brasil, com a presença de artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque, reagindo à aprovação da PEC da Blindagem na Câmara.
Novembro
O mês teve como momento mais polêmico a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi motivada por uma violação detectada na tornozeleira eletrônica às 0h08 da madrugada do dia 22 e pela convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro, o que indicava risco de fuga. Na audiência de custódia, Bolsonaro admitiu ter usado um ferro de solda no equipamento, alegando um surto de "paranoia" e "alucinação" causado por medicamentos. Ainda nesse mês, Moraes determinou que Bolsonaro deveria permanecer preso na Superintendência da PF em Brasília, em uma sala de Estado-Maior, para o início do cumprimento da pena.
Dezembro
No dia 5, o cenário político foi surpreendido com o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência pelo PL. Segundo o parlamentar, a indicação partiu do pai. Na semana seguinte, o PL da Dosimetria foi aprovado pelo plenário da Câmara. A proposta reduz a pena dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado. No dia 17, foi a vez de o Senado aprovar o projeto. Logo em seguida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que vetaria o texto aprovado no Congresso. O PL da Dosimetria beneficia diretamente Jair Bolsonaro
Na saúde, o país recebeu reconhecimento internacional ao ser validado pela Organização Mundial da Saúde pela eliminação da transmissão do HIV de mãe para filho. Por outro lado, protestos contra a violência de gênero em várias cidades reforçaram a relevância das pautas sociais no fechamento do ano.