Estados Unidos atacaram Venezuela neste sábado (3)Federico Parra / AFP

A deputada federal Erika Hilton (PSOL) e outros políticos da esquerda condenaram, neste sábado (3), os bombardeios dos Estados Unidos contra à Venezuela. Na ação, o presidente Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, foram capturados.
Segundo Erika, a operação não foi uma ação coordenada para a realização de novas eleições ou uma transição de poder de Maduro para algum outro representante venezuelano, mas um ataque com roteiro básico para gerar ainda mais caos e ainda mais dificuldades para o povo venezuelano.
"E quando Trump posta, nas redes sociais, que o ataque não foi apenas contra Maduro, mas contra a própria Venezuela, ele declara que é do interesse dos Estados Unidos da América que venezuelanos inocentes, que nada têm a ver com Maduro e seu governo, devem morrer em nome de interesses particulares", escreveu a deputada nas redes sociais.
Ela acrescentou que "aos que, daqui do Brasil, celebram isso como uma vitória política, é bom lembrar: não há nada de positivo na desestabilização de um país vizinho.'
O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social no governo Lula, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que a Venezuela “sofre uma agressão militar dos EUA, com ataques que atingem a população civil da capital Caracas”.
"O imperialismo exporta guerra e destruição, da Palestina à América Latina. Ataque merece repúdio e condenação rápida. É um ataque a América do Sul que viola todas as regras do direito internacional", escreveu no X.
O deputado federal Glauber Braga (PSOL) também condenou, nas redes sociais, o bombardeio e destacou que possui consequências incalculáveis para América Latina.
"Isso é terrorismo de Estado pra controlar as reservas de petróleo. É fundamental a condenação de toda comunidade internacional a esse crime gravíssimo e sem precedentes ... Toda solidariedade ao Povo Venezuelano. O nosso mandato estará participando nas ruas das ações de solidariedade", disse.
A deputada federal Jandira Fhegali (PCdoB/RJ) caracterizou a operação como autoritária e prestou sua solidariedade aos venezuelanos.
"O autoritarismo desconhece limites, fronteiras e a soberania das nações. Não é movido pela justiça, mas pela cobiça e a necessidade constante de subjugar. A América Latina tem história. Tem a memória da luta enfrentada contra os que viam o território apenas como fonte de lucro. Saqueadores. Toda solidariedade ao povo venezuelano", escreveu no X.
Ataque
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que os bombardeios dos Estados Unidos ocorreram em várias regiões do país, incluindo a capital e que atingiram a população civil.
"Forças invasoras (...) profanaram nosso solo sagrado nas localidades de Fuerte Tiuna, Caracas, nos estados Miranda, Aragua e La Guaira, chegando a atingir, com seus mísseis e foguetes disparados de helicópteros de combate, áreas urbanas de população civil", disse o ministro.
Vídeos mostram fortes explosões que ocorreram na capital venezuelana, Caracas, por volta das 02h00 locais e que fizeram, inclusive, tremer as janelas em muitos bairros. Além disso, outros estrondos foram registrados em outras áreas do país.

As detonações continuaram na capital por cerca de uma hora, ao mesmo tempo em que se ouvia o que parecia ser o sobrevoo de aeronaves. Várias regiões do país estão sem eletricidade em decorrência dos ataques. Ainda não se tem um balanço das vítimas da ocorrência.

* Reportagem do estagiário João Santos, sob supervisão de Raphael Perucci