Após 14 dias internado, Anderson Kauã, de 8 anos, primo das duas crianças desaparecidas na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão, recebeu alta do Hospital Geral nesta terça-feira (20). As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 nos, completam três semanas. Eles sumiram no dia 4 de janeiro após saírem para brincar no Quilombo de São Sebastião dos Pretos.
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), o menino participou das buscas logo após deixar o hospital, com autorização da Justiça. Kauã acompanhou os policiais e apontou o caminho que percorreu com os primos até uma cabana abandonada, chamada pelos policiais de "casa caída", localizada a cerca de 50 metros do rio Mearim.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, disse que o menino vai continuar recebendo apoio psicológico e ajudando com informações que possam contribuir para localizar os primos.
A operação foi reforçada com a chegada de 11 militares da Marinha, que chegaram à cidade no sábado (17) e começaram a realizar uma vistoria na área. Eles usam tecnologia avançada, como o side scan sonar, para localizar possíveis objetos submersos na água. Com o apoio de lancha voadeira e motoaquática, as buscas continuarão no Rio Mearim e no lago.
De acordo com o Capitão Simões da Capitania dos Portos do Maranhão, a operação com o uso de tecnologia avançada começou no domingo (18).
"O objetivo é otimizar as buscas realizadas pelos mergulhadores e bombeiros. O side scan sonar gera imagens detalhadas do fundo do rio, ajudando a identificar qualquer anomalia", afirmou.
Segundo a Marinha, o side scan sonar funciona como um "raio-X" do fundo do rio, destacando sua eficácia mesmo em águas turvas, independentemente da visibilidade. A tecnologia foi utilizada com sucesso em operações de resgate anteriores, como no caso do desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek (Ponte JK), entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), e agora será empregada para localizar as crianças desaparecidas.
No sábado (17), a equipe da Marinha fez um reconhecimento da área para avaliar o local e planejar a operação de busca.
"A partir do ponto que verificamos, começaremos a varredura e a otimização das buscas no leito e na superfície do rio", disse.
A operação de busca reúne cerca de 500 pessoas, entre profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Exército, quilombolas e voluntários. Um aplicativo de geolocalização é usado para mapear as rotas percorridas pelas equipes. A Polícia Federal (PF) também atua no caso, ampliando as ações em campo e nas rodovias da região.
Paralelamente às buscas, a Polícia Civil conduz uma investigação rigorosa do caso com atuação integrada de delegados e investigadores da Delegacia Regional de Bacabal, da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) e da Superintendência de Polícia Civil do Interior (SPCI), ouvindo familiares, moradores e outras pessoas que possam contribuir com informações sobre o paradeiro das crianças.
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