A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos DeputadosReprodução X

Após ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Câmara, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) virou alvo da campanha "#elenão", que evocou a mobilização de mulheres contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2018.

A iniciativa ganhou força com um abaixo-assinado na plataforma Change.org, intitulado "Pela Representatividade Feminina na Presidência da Comissão da Mulher".

O documento, que já ultrapassa 65 mil assinaturas, argumenta que o cargo deveria ser ocupado por uma deputada cujo histórico e bandeiras estejam alinhados à defesa das prerrogativas das mulheres com base na distinção biológica de sexo, conforme demandas tradicionais do movimento feminino.

Erika é a primeira mulher transsexual a ocupar a cadeira. Os proponentes destacam a existência de outros espaços institucionais dedicados às pautas LGBTQIA+ e defendem que a comissão mantenha foco exclusivo nas questões das mulheres como categoria biológica e social reconhecida cientificamente. Eles pedem a revisão da decisão para priorizar uma representação que consideram mais fiel às origens do colegiado.

A escolha da parlamentar enfrentou resistência de deputados conservadores, que protestaram durante o processo. Em resposta às críticas, Erika Hilton publicou no X (antigo Twitter) que a eleição representava "mais um passo na reparação" de sua trajetória pessoal e da história de muitas mulheres que sofreram exclusão e negação de dignidade.
Ela afirmou não se importar com rejeições vindas de setores que chamou de "transfóbicos e imbecis", considerando essas opiniões irrelevantes.